100 milhões de brasileiros não tem acesso a saneamento

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A cada R$ 1 investido em saneamento básico, o sistema público de saúde economizaria R$ 4
Rio urbano, fonte de proliferação de agentes transmissores de doenças. (Imagem: MS)
Rio urbano, fonte de proliferação de agentes transmissores de doenças. (Imagem: MS)

No Brasil, 35 milhões de pessoas não tem acesso a água tratada e 100 Milhões de brasileiros não tem acesso a coleta de esgoto. As informações são do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento.

Ainda segundo o SNIS, a cada 100 litros de água coletados e tratados, em média, apenas 67 litros são consumidos. Ou seja 37% da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água. O prejuízo chega a R$ 8 bilhões. O volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas do porte da represa Cantareira, que abastece a cidade de São Paulo.

Saneamento é um direito do cidadão e envolve quatro serviços básicos: coleta e tratamento da água, esgotos, resíduos e drenagem.

No entanto, menos da metade da população brasileira tem acesso a tratamento de esgoto (48,6%). São mais de 100 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço. Outro dado alarmante: mais da metade das escolas brasileiras não tem acesso à coleta de esgotos e mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras disponíveis. O resultado não poderia ser diferente: os rios urbanos estão mortos.

Saneamento x saúde pública

A falta de saneamento afeta diretamente a saúde pública. Rios poluídos fazem proliferar agentes transmissores de doenças, como mosquitos e ratos. Entre as doenças, os maiores índices registrados dizem respeito às infecções gastrintestinais, leptospirose e amebíase.

Em 2013, segundo informações do Ministério da Saúde, foram notificadas 340 mil internações hospitalares por infecções ao custo de R$ 355,71 por paciente, na média nacional. Dessas internações, 2.135 pessoas faleceram. Segundo o Instituto Trata Brasil, uma Oscip que trabalha pela universalização do saneamento no país, a cada R$ 1 investido em saneamento básico, o sistema público de saúde economizaria R$ 4.

Campanha da Fraternidade

“Como estão estruturadas as nossas cidades? Quem realmente tem acesso ao saneamento básico? No ano de 2014, o sudeste do Brasil viveu uma das maiores crises hídricas já registradas na história recente do país. Quem foi responsabilizado por isso? Por que os serviços de saneamento básico, considerados como direito humano básico pela Organização das Nações Unidas, estão em disputa?”.

As questões fazem parte da Campanha da Fraternidade 2016, instituída pela Igreja católica com o objetivo de assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e conscientizar em busca de políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro do planeta e das pessoas.

Com o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24), o texto de apresentação da Campanha diz que “o atual modelo de desenvolvimento está ameaçando a vida e o sustento de muitas pessoas, em especial as mais pobres. É um modelo que destrói a biodiversidade”.

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