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Volume de água que volta representa quase 65% de toda água bruta que chega ao sistema de abastecimento
Esquema de tratamento de efluentes.
Esquema de tratamento de efluentes.

Por Sergio Werneck Filho – A crise hídrica que afeta quase 1.000 municípios brasileiros das regiões Nordeste e Sudeste é algo histórico que, certamente, deixará grandes lições. O tema tem sido o principal foco de discussões, tanto na esfera pública como privada. Um ponto, porém, merece atenção. Até o momento, o grande enfoque está em como suprir a demanda diante dos baixíssimos índices dos reservatórios. Alternativas para trazer água de regiões cada vez mais distantes e, claro, a discussão em torno da recuperação dos mananciais norteia grande parte das preocupações.

Porém, a solução, não apenas para esta crise, mas para todo o sistema de abastecimento de grandes centros, não está somente nas alternativas para se obter novas fontes de água. Pelo contrário. O que precisamos é nos atentar à forma com que a água retorna ao sistema. Precisamos enxergar as regiões metropolitanas como grandes sistemas de reuso. Para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, são necessários 80 metros cúbicos de água bruta por segundo. Sabe-se que grande parte deste volume (cerca de 20%) se perde no caminho. Ou seja, 1 em cada 5 litros de água captada não chega às residências, indústrias, escritórios ou comércios. Esta questão já é amplamente discutida e, para ser solucionada, requer investimentos na rede atual. Assim, precisamos focar na água que chega ao consumidor.

Quando entregue, a água é utilizada para diferentes fins, desde limpeza, higiene pessoal, consumo ou processos industriais. Mesmo utilizada em todos estes processos, ela não desaparece. Estima-se que, do total de água entregue, são consumidos ou evaporados apenas 11,2 metros cúbicos por segundo (20% da água entregue). E o restante? Qual é a destinação desta água? O que fazemos com ela?

O fato é que, se não se perde, não é consumida ou evaporada, esta água retorna ao sistema, seja como efluente ou como esgoto. Este volume representa quase 65% de toda água bruta que chega ao sistema de abastecimento.

O problema é que, apesar de ser um volume significativo, a capacidade de tratamento atual não é suficiente. A estrutura hoje consegue tratar apenas 18 metros cúbicos por segundo. Pelos nossos cálculos, o total de efluentes e esgoto que chega ao sistema é de 51 metros cúbicos por segundo. Ou seja, 33 metros cúbicos por segundo de esgoto liberados na Região Metropolitana de São Paulo não são tratados. Se considerarmos os dados mensais, os números são ainda mais expressivos. Em 30 dias, estamos falando em 85,5 bilhões de litros que poderiam retornar ao sistema tratados.

Se, ao invés de buscarmos outras alternativas para abastecer o sistema, buscássemos formas eficazes de melhorar a qualidade da água que retorna aos rios e de reduzir as perdas iniciais das águas captadas, o cenário seria bem diferente.

Ao reduzir as perdas de 20% para 10%, teríamos uma economia de 7 metros cúbicos por segundo. Se além disso fossem feitos os investimentos necessários para dobrar a capacidade de tratamento de esgoto da região e ampliação da rede coletora, teríamos mais 18 metros cúbicos por segundo de insumo para reúso.

Com estas três iniciativas (menos perdas, mais coleta e mais tratamento), mesmo ainda não conseguindo tratar 100% do esgoto que retorna aos rios, conseguiríamos um volume de 44 metros cúbicos por segundo, ou 114,0 bilhões de litros por mês, equivalente aos sistemas Cantareira e Alto Tiete somados.

A resposta para a crise hídrica atual e todos os possíveis desdobramentos futuros deve privilegiar o tratamento adequado do esgoto. . A água precisa retornar com qualidade semelhante a que foi retirada. Assim, muito mais do que buscar novas fontes, o que a Região Metropolitana de São Paulo –  e tantas outras – precisam é o controle da qualidade do descarte. Se cuidarmos de como devolvemos a água para os rios, vamos sofrer bem menos com a falta de chuvas e/ou problemas nos mananciais. A solução existe e é mais viável do que muitos podem imaginar.

Sérgio Werneck Filho é CEO da Nova Opersan.

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    O Programa Cultivando Água Boa, no Oeste do Paraná, foi considerado a melhor prática do mundo em gestão da água

     

    O programa da Itaipu Binacional trouxe desenvolvimento sustentável à costa oeste paranaense. (Imagem: Itaipu)
    O programa da Itaipu Binacional trouxe desenvolvimento sustentável à costa oeste paranaense. (Imagem: Itaipu)

    Um programa socioambiental desenvolvido no interior do Paraná garante ao Brasil uma premiação inédita: o reconhecimento da ONU como a melhor gestão de recursos hídricos do mundo.

    Concorrendo com 40 iniciativas de todos os continentes, o programa socioambiental Cultivando Água Boa, desenvolvido no Oeste do Paraná, conquistou o 1º lugar na categoria “Melhores práticas em gestão da água” da 5ª edição do Prêmio Água para a Vida 2015.

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      Pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica em 111 rios não encontrou água limpa

      Águas poluídas do Rio Tietê em Pirapora do Bom Jesus, interior do Estado de São Paulo. Foto: Marcos Santos (USP Imagens).
      Águas poluídas do Rio Tietê em Pirapora do Bom Jesus, interior do Estado de São Paulo. Foto: Marcos Santos (USP Imagens).

      Não foi possível encontrar um único rio com água totalmente limpa. Essa foi a conclusão a que chegou uma análise realizada nas águas de 111 rios em cinco estados brasileiros e no Distrito Federal pela Fundação SOS Mata Atlântica.

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        Medidas simples e eficazes ajudam a reduzir o consumo e evitar o desperdício

        (Imagem: IPT)
        (Imagem: IPT)

        A falta de planejamento e investimentos em sustentabilidade sempre acaba gerando custos que poderiam ser evitados na pequena empresa.

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          nascente

          • A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.
          • A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.
          • Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.
          • O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.
          • A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.
          • A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
          • A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.
          • A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.
          • A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
          • O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

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            Especialistas reforçam a importância da proteção e preservação do recurso
            Campanha da Turma da Mônica (Maurício de Souza)
            Campanha da Turma da Mônica (Maurício de Souza)

            22 de março. Dia da Água. A data, criada pela Organização das Nações Unidas – ONU para fomentar a discussão de temas acerca do líquido da vida.

            De toda a água do planeta, apenas 0,008% é própria para consumo.

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              Desperdício, descaso e contaminação podem levar à escassez da água

              agua

              Por Osmar Pereira – Desde o surgimento da vida na Terra, a água é o elemento mais importante para a sobrevivência de todos os seres vivos. Sem ela, o planeta seria desabitado. Apesar disso, o desperdício é constante. Dados da ONU de 2006 revelam que até 2050 mais de 45% da população mundial não terá acesso à água potável.