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Em Santa Catarina, maior produtor brasileiro de mariscos e ostras, a produção de moluscos chega a 12 milhões de toneladas ao ano

maricultura

Por Marcos Scotti – Uma das profissões mais antigas da humanidade está revendo seus conceitos e praticando o que tanto se fala desde a Eco92, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro: o desenvolvimento sustentado.

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As organizações alertam para o risco de as propostas promoverem violência e destruição de patrimônio das populações indígenas e o agravamento de catástrofes ambientais

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ONGs ambientalistas, entre elas a Fundação SOS Mata Atlântica, Greenpeace e Instituto Socioambiental, lançaram no último dia 11 de agosto, um manifesto público sobre a Agenda Brasil, documento proposto pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com 27 medidas para combater a crise.

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Responsáveis por liberar o licenciamento ambiental para a instalação de qualquer atividade no município, os conselhos são formados por representantes da sociedade

licenciamento
As diretrizes da Política Nacional de Meio Ambiente repassaram aos municípios boa parte da responsabilidade sobre o licenciamento ambiental dos empreendimentos a serem instalados em suas áreas de competência.

Para que não aconteçam distorções e, pior, danos ao meio ambiente e ao próprio cidadão, é preciso, no entanto, que a sociedade esteja ciente da importância da sua participação.

Nesse sentido foram criados os Conselhos Municipais de Meio Ambiente, constituídos com a participação de órgãos públicos, setores empresariais e políticos e as organizações da sociedade civil, para debater e buscar soluções para o uso dos recursos naturais e a recuperação de danos ambientais.

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O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) aplica novamente a técnica de manejo com fogo controlado no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa
Fogo controla espécies invasoras no Parque Estadual de Vila Velha, no Paraná. (Foto: IAP)
Fogo controla espécies invasoras no Parque Estadual de Vila Velha, no Paraná. (Foto: IAP)

A técnica de manejo com fogo controlado é utilizada há um ano no Parque Vila Velha e já apresenta grandes resultados para recuperação da biodiversidade local. “Da maneira como aplicamos a técnica, garantimos maior controle das áreas onde necessita desse trabalho, sem alterar outros pontos do parque que possuem a vegetação típica de campos”, explica o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.

A área queimada, em dois dias, foi de pouco mais de 100 hectares, próximos a espaço de uso público do parque. O procedimento é acompanhado por bombeiros, estudiosos e policiais ambientais.

“Em locais onde já aplicamos o manejo com fogo controlado é possível perceber a presença de espécies de fauna e flora típicas de campos que não eram, ou nunca foram registradas anteriormente”, afirma Mossato. Essa técnica de manejo tem o objetivo de restaurar o ecossistema para que ele se aproxime o máximo possível das condições ambientais naturais da época de criação da Unidade de Conservação, há 60 anos. O Parque de Vila Velha é um dos primeiros do país a praticar o manejo com fogo controlado, sem ser de maneira experimental.

CHUVA E REPRODUÇÃO – O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, Guilherme Vasconcellos, explica que o instituto faz o manejo nessa época porque é um período de pouca chuva, em que o fogo se propaga com maior facilidade, e também porque que antecede o período de reprodução da fauna local. “Assim, o processo ocorre da maneira mais natural possível”, disse ele.

O fogo atua na sucessão ecológica, promovendo alterações na composição florística e dos nutrientes do solo. “Observamos que após a aplicação do fogo o ambiente se restabelece, dando oportunidade de sobrevivência e reprodução dos animais típicos dos campos”, informou a gerente do Parque Estadual de Vila Velha, Ângela Dalcomune. “O uso do fogo controlado favorece o aumento da riqueza e da diversidade de espécies, faz com que algumas espécies vegetais dominantes sejam eliminadas e abre espaço para espécies típicas dos campos naturais.”

RESULTADOS – Na primeira área onde foi aplicado o manejo com fogo controlado existiam árvores de grande porte que dificultavam o desenvolvimento de espécies herbáceas nativas e, consequentemente, a descaracterizavam o ecossistema. Também era afetada a circulação de animais. Agora é possível observar a presença de alguns animais que não eram vistos no local.

“Conseguimos observar que a partir do momento em que a flora se regenera algumas espécies de animais que frequentam a vegetação de campos são percebidas, principalmente de avifauna, como a perdiz e alguns veados”, explicou a professora da Universidade Positivo, Leila Terezinha Maranho. A professora conduz pesquisas sobre manejo com fogo controlado no Parque de Vila Velha desde 2009, com apoio do Museu Botânico Municipal de Curitiba e com o apoio e acompanhamento do IAP.

(Fonte: IAP)

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Corte de grama elimina muda de Ipê em Curitiba
Muda de Ipê amarelo, plantada em Curitiba e enviada para o projeto "Nossa Floresta"
Muda de Ipê amarelo, plantada em Curitiba e enviada para o projeto “Nossa Floresta”

Uma muda de Ipê amarelo, plantada no canteiro da rua Almirante Gonçalves, em Curitiba, foi cortada. Em uma das investidas das equipes de corte de grama da cidade, o nylon da roçadeira ceifou a planta. Embora ainda pequena, a muda já tinha novos brotos.

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A tecnologia a serviço do meio ambiente chegou aos aparelhos celulares através de aplicativos.

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Os apps ajudam a reduzir o consumo de energia, controlar o consumo de água no banho e buscar informações precisas sobre emissão de carbono ou dicas ambientais. Confira os aplicativos e saiba onde pode baixa-los.

UNEP Carbon Calculator

Desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a UNEP Carbon Calculator ajuda a calcular o impacto diário no meio ambiente. O objetivo do aplicativo, que é em inglês, é reduzir as emissões de gás carbônico na atmosfera e, assim, diminuir o efeito estufa. Ele dá informações sobre como, por exemplo, podemos reduzir os danos às florestas como consumidores e ainda calcula a emissão de poluentes em viagens de avião, trem ou carro.

Download: https://itunes.apple.com/br/app/unep-carbon-calculator/id479908091?mt=8.

Rota da Reciclagem

Pontos de coleta de lixo reciclável podem estar disponíveis no seu celular através do app desenvolvido em parceria com a Tetra Pak. O “Rota da Reciclagem” mostra os pontos de coleta de qualquer tipo de lixo reciclável na região onde o cidadão está, informando ainda onde estão localizadas as cooperativas de catadores e empresas que compram materiais recicláveis.

O aplicativo pode ser baixado no endereço https://itunes.apple.com/br/app/rota-da-reciclagem-tetra-pak/id483224874?mt=8.

Sai desse banho

Você sabe quantos litros de água gasta ao tomar o seu banho? Com o aplicativo “Sai desse banho” vai ficar fácil descobrir. O app funciona como uma espécie de despertador para tentar reduzir o tempo de banho para 12, 8 ou 4 minutos. O usuário determina o tempo desejado e, se passar desse tempo, o app vai começar a tocar uma música muito irritante no iPhone até que você saia do banho e o desligue. Além de tirar o cidadão do banho, o aplicativo informa ainda quantos litros de água estão sendo economizados.

Download no endereço https://itunes.apple.com/br/app/sai-desse-banho/id473676325?mt=8.

Eco Charger

O Eco Charger é perfeito para quem esquece o smartphone carregando durante horas mesmo que a bateria já esteja carregada. Deixando seu telefone plugado na tomada com a bateria carregada ele continua consumindo em média 1 W (ou 1 joule por segundo). Levando em consideração os bilhões de celulares que existem no mundo, imagine o consumo de energia diário à toa se todo mundo fizer isso. O Eco Charger envia notificações sempre que seu smartphone atingir 100% de bateria para que você se lembre de tirá-lo da tomada. Ele ainda dá informações úteis sobre sua bateria, como a temperatura e a voltagem e emite notificações de alta tensão.

Download para o sistema Android: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.asrtech.ecocharger&hl=pt_BR

Green Tips

O app, todo em inglês, traz mais de 150 dicas simples elaboradas pela European Environment Agency. Com elas, você pode reduzir o consumo e emissão de carbono com pequenas ações diárias, usando dicas relacionadas a água, transporte, lixo, recursos naturais, consumo doméstico, mudanças climáticas, biodiversidade e muito mais. Se você gostar muito de uma dica, pode compartilhá-la no Facebook ou Twitter.

Download: Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.mobilendo.greentips&hl=pt_BR) e Windows Phone (https://www.microsoft.com/pt-br/store/apps/green-tips/9nblggh08qk5).

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Segundo a ONU, cerca de 1,6 bilhão de pessoas depende diretamente das florestas para sobreviver
Floresta Ombrófila, espécies da Mata Atlântica. (Imagem: Ibama)
Floresta Ombrófila, espécies da Mata Atlântica. (Imagem: Ibama)

Comida, combustível, abrigo e renda. É o que a floresta serve a cerca de 1,6 bilhão de pessoas em todo o mundo, incluindo mais de 2 mil culturas indígenas. A informação é da Organização das Nações Unidas e diz também que 13 milhões de hectares de florestas são destruídos todos os anos.

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Cultivando Água Boa, programa implantado pela Itaipu no oeste paranaense, é referência mundial na gestão das águas e recuperação de microbacias
Mata ciliar recuperada às margens do lago da usina de Itaipu, resultado do programa. (Imagem: Itaipu)
Mata ciliar recuperada às margens do lago da usina de Itaipu, resultado do programa. (Imagem: Itaipu)

A internacionalização do programa Cultivando Água Boa (CAB), liderado pela Itaipu Binacional e com a participação de centenas de parceiros do Oeste do Paraná, se consolidou em 2014. Além da adoção da metodologia do programa em doze microbacias hidrográficas espalhadas pela América Latina, há outras duas na Espanha, e é crescente o interesse de organismos internacionais e de governos pelo programa.

Para Josefina Maestu, diretora do programa Década da Água da Organização das Nações Unidas (ONU), o CAB chama a atenção pelo “nível de compromisso muito forte” de todos os atores envolvidos. “É responsabilidade da ONU estar atenta às boas políticas públicas e boas práticas para disponibilizar essas experiências para todos os estados-membros. E estamos recomendando a experiência da Itaipu com o CAB aos governos que nos procuram”, afirmou.

A estratégia do programa está na metodologia para ampliar a participação e o empoderamento das comunidades. Outro aspecto importante é a gestão por microbacias e a maneira como são definidos os papéis dos atores nos projetos de recuperação.

Algumas experiências concretas de replicação da metodologia do CAB se encontram no mesmo contexto da Bacia do Prata, no sul do continente. Conforme explica o secretário geral do Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata (CIC), o uruguaio José Luis Genta, o CIC, que havia perdido o seu papel político após a formação do Mercosul, mudou sua vocação para o apoio ao desenvolvimento sustentável da região e para a execução do programa Marco (de gestão dos recursos hídricos, com apoio do Pnuma).

“Nesse contexto, o programa CAB surgiu como um elemento com grande potencial integrador dos países do Prata. Hoje, já temos programas semelhantes nas duas outras binacionais da bacia (Yacyretá e Salto Grande) e outros projetos-piloto com metodologia do CAB estão em fase de implantação na Argentina, Paraguai e Uruguai. Agora, queremos ampliar esses projetos”, afirmou Genta, ressaltando que 60% do território da América do Sul pertence às três grandes bacias do continente (do Amazonas, do Orinoco e do Prata), daí a importância da gestão socioambiental desses territórios. No total, seis microbacias estão sendo trabalhadas por Yacyretá e Salto Grande.

Outra experiência concreta de cooperação está na Espanha, mais precisamente no País Basco, onde está localizada a Capital Verde da Europa, Vitoria-Gastéiz. A cidade já conta com um programa semelhante ao CAB, porém voltado à gestão do espaço urbano. Agora, a ideia é recuperar a microbacia do rio Zadorra, afluente do Ébrio, que banha a cidade.

Segundo Iñigo Bilbao, diretor de Relações Internacionais da Prefeitura de Vitoria-Gastéiz, a metodologia do CAB será aplicada em diversas iniciativas, como a recuperação das margens do Zadorra, na promoção da agroecologia e no cultivo de plantas medicinais, sempre reproduzindo os mesmos critérios de governança em parceria com as comunidades locais, característica principal do programa da Itaipu.

“Nossas plantas medicinais estão ameaçadas. Estamos criando um banco de germoplasma, junto ao jardim botânico, para poder preservá-las. Acreditamos que com um programa como o do CAB, de incorporar os fitoterápicos ao sistema de saúde, poderemos reforçar isso”, afirmou Bilbao.

Em 2013, o CAB se tornou uma política de cooperação do governo brasileiro, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e Agência Nacional de Águas (ANA). Na época, foi firmado um convênio para replicação da metodologia do CAB junto a oito países ibero-americanos.

A parceria com Vitoria-Gastéiz se dá nesse contexto e os projetos-piloto já estão em execução na Guatemala e República Dominicana, como resultado desse convênio. Além dos países mencionados, representante das Nicarágua, Chile, Costa Rica e França também participam do Encontro CAB 2014.

Outra experiência do CAB que iniciará em breve na Espanha é nas cercanias de Madri. O vice-conselheiro de Meio Ambiente da prefeitura da capital espanhola, Enrique Ruiz, explicou que, assim como Vitoria-Gastéiz, o governo local quer replicar o programa da Itaipu na área rural, complementando a gestão das águas que é realizada no âmbito urbano.

“Queremos dar mais sustentabilidade à agricultura e à pecuária que é praticada no entorno de Madri”, afirmou Ruiz. “Creio que o principal valor do CAB é unir as pessoas em torno da questão da água e do território”.

Na Guatemala , o CAB está em implantação – identificação de atores e sensibilização – em três microbacias hidrográficas ligadas aos projetos hidrelétricos El Porvenir, do Instituto Nacional de Eletrificação (Inde), e Renace 4, do consórcio Multi Inversiones, e também à mina El Escobal, da mineradora San Rafael.

“Entendemos que o CAB oferece uma resposta às demandas sociais das comunidades do entorno desses projetos, além de contar com um modelo de interlocução com essas comunidades. E, também, contribui para a preservação da água, viabiliza a hidroeletricidade e aumenta o nível de conhecimento sobre os projetos hidrelétricos”, afirmou Carmen Yolanda Magzul López, do Vice-Ministério de Desenvolvimento Sustentável da Guatemala.

Na República Dominicana, são outras três microbacias (Rio Grande, Arrio Gurabo e Rio Maimón), todas próximas a mineradoras. No último mês de outubro, foram realizadas as Oficinas do Futuro (método de diagnóstico dos problemas e planejamento das ações, baseado em Paulo Freire).

“O CAB é uma ferramenta de engenharia social que integra as comunidades ao meio ambiente. Além disso, é também uma ferramenta que permite conformar o comitê gestor com participação direta dos mais vulneráveis, junto com o setor público e privado”, garante o assessor do Ministério de Energia e Minas e diretor do CAB Guatemala, Yossi Abadi.

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“Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais, que já não poderemos conhecer, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre”, diz a carta “Louvado Sejas”, escrita pelo Papa.

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A encíclica divulgada pelo Vaticano expõe o modelo de desenvolvimento praticado no mundo como insustentável e chama a humanidade à uma mobilização por um mundo socialmente justo e ambientalmente equilibrado.

“Tudo está conectado”, diz a primeira encíclica escrita por Francisco. O ser humano não está dissociado da Terra ou da natureza, eles são partes de um mesmo todo. Portanto, destruir a natureza equivale a destruir o homem. E destruir o homem, para os católicos, é pecado. Da mesma forma, não é possível falar em proteção ambiental sem que esta envolva também a proteção ao ser humano, em especial os mais pobres e vulneráveis. Segundo o Papa, isso é “ecologia integral”.

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Primeiro brasileiro a chegar ao topo do mundo, alpinista paranaense, em entrevista exclusiva,  fala do projeto “Mundo Andino” e da tragédia no Nepal

 

Waldemar Nicklevicz, 49 anos, paranaense, alpinista, partiu no início deste mês para resgatar um antigo projeto. O “Mundo Andino”, como chamou a ideia, vai percorrer as 100 maiores montanhas da Cordilheira dos Andes, buscando conhecimento e proporcionando cidadania.

Criado em 2004, o projeto é muito mais do que aventura. Trata-se de uma inserção nas comunidades e a busca de conhecimento. Segundo Waldemar, infelizmente muito das informações que temos hoje sobre as comunidades andinas estão desatualizadas.

O projeto parou por falta de financiamento. Um caminhão foi adaptado para servir de base ao projeto. Nele, um consultório odontológico, um centro de estudos e de assistência às comunidades visitadas. Na bagagem, o projeto ainda levaria kits escolares, cestas básicas e kits de escovação, num trabalho prioritariamente sócio-educacional.

“O importante é continuar”, diz Waldemar Niclevicz, “fazer um estudo do entorno destas principais montanhas, trazer informações e transformar essas informações em três livros – que venho escrevendo há muito tempo”.

Solidariedade ao Nepal

Waldemar Niclevicz já esteve no Everest, foi o primeiro brasileiro, junto a Mozart Catão, a chegar ao topo do mundo. Esteve no Himalaia algumas outras vezes, inclusive para escalar a “Montanha da Morte”, o K2.

Por ocasião da entrevista ao Instituto Nacional de Educação Ambiental, pouco depois de dois grandes terremotos, em maio, assolarem o Nepal, Niclevicz falou sobre o acontecido.

(Em breve, uma nova edição do EA na Escola, exclusivo com Niclevicz)