A invasão dos sem-floresta

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É cada vez maior o aparecimento de animais silvestres nas cidades. A destruição das áreas naturais e uma das explicações para o fato
Na foto, um Tucano, fotografado por Tatiana Abrão, em Guaxupé. Segundo ela, tem sido comum o aparecimento da espécie na cidade que procura árvores grandes e frutíferas para se acomodar.
Na foto, um Tucano, fotografado por Tatiana Abrão, em Guaxupé. Segundo ela, tem sido comum o aparecimento da espécie na cidade. A ave procura árvores grandes e frutíferas para se acomodar.

Onças no quintal de casa. Macacos-prego na janela da cozinha. Tucanos se alimentando em árvores em pleno centro da cidade. Capivaras em busca de comida nos lagos e rios urbanos…

Poderia se pensar que uma revolução está acontecendo entre os bichos e que eles resolveram tomar conta do espaço. Por mais fantástico que seja encontrar um animal silvestre assim, tão próximo de nós, longe das cercas dos zoológicos, não se pode ignorar que algo está errado, fora de controle.

Ambientalistas são os primeiros a dizer: há um evidente desequilíbrio ambiental que está fazendo com que os animais saiam de seus habitats e invadam as cidades.

Não existem dados oficiais, mas é notório que, ano a ano, o numero de animais silvestres encontrados nas cidades vem aumentando. Em 2011, a imprensa registrou, no Paraná, pelo menos 30 casos. Em Paraguaçu Paulista, região de intenso cultivo de cana-de-açúcar, em 2014 foram registrados, em média, de 20 a 30 casos de captura de animais silvestres por mês.

No rol dos sem-floresta estão veados, tamanduás, capivaras, cobras, lobos-guará e um numero expressivo de aves. Capturados, os animais e aves são encaminhados a entidades e centros de tratamento e recuperação para, mais tarde, serem soltos novamente na natureza.

Cadeia alimentar

O que tem levado os bichos para as cidades é a destruição dos ecossistemas. Com espaço cada vez mais reduzido, o animal sai em busca de comida.

A expansão das fronteiras agrícolas, o desmatamento e derrubada de florestas e o crescimento das cidades, exercem pressão sobre os ecossistemas, provocando desequilíbrio e quebrando a cadeia alimentar das espécies.  Sem alimento, os animais buscam comida na cidade, atraídos pelos cheiros e pelo descarte aleatório do lixo e o desperdício de alimentos, típicos da civilização. Junte-se a isso a atração que o ser humano sente ao ver um animal ou ave fora de um zoo, solto. A reação é quase sempre a mesma: atrai-los com comida para vê-los mais de perto.

É extremamente desaconselhável dar alimento a animais silvestres. Zootecnistas explicam que ao fazer isso se está tirando um hábito comum a qualquer bicho, que é o instinto de caça e sobrevivência.

Ao encontrar um animal, o cidadão deve entrar em contato com o Corpo de Bombeiros, Policia Ambiental ou mesmo a Secretaria de Meio Ambiente de seu município.

Mais do que isso: o cidadão consciente deve se engajar na luta pela preservação ambiental, contra a destruição das florestas e pelo equilíbrio da vida.

Afinal, lugar de bicho é no mato.

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