Cientistas criam grupo para avaliar desastre no rio Doce

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Uma avaliação independente sobre os impactos causados pela lama em MG e ES, livre de interferências ou interesses, é o objetivo do grupo de voluntários
O mapa da lama.
O mapa da lama.

A lama que corre por Minas Gerais e Espírito Santo é tóxica? Qual o impacto real na fauna e na flora da região? Qual a qualidade da água? Quem deve responder legalmente pelo desastre? São muitas as perguntas em torno da catástrofe provocada pelo rompimento das barragens em Mariana e poucas as fontes confiáveis. Para tentar achar respostas livres de interesses privados ou tendenciosas, um grupo de pesquisadores e cientistas decidiu fazer uma avaliação independente dos impactos ambientais.

As conversas começaram entre amigos – eram dez pesquisadores que acreditaram que precisavam fazer mais do que só comentar sobre a tragédia. Mas logo a iniciativa tomou enormes proporções. Hoje, o projeto conta com uma página no Facebook com mais de 3.500 inscritos e um crowdfunding, financiamento coletivo, que já arrecadou mais de R$ 27 mil.

Os primeiros pesquisadores do grupo, batizado de Giaia (Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental), foram até Mariana com recursos próprios ou com apoio de universidades. Depois moradores e voluntários de diversas áreas se juntaram.

“Não tínhamos ideia das proporções que alcançaríamos. A proposta era conseguir juntar R$ 50 mil para financiar análises do solo e da água, para ver como a lama de fato afetou a região. Mas o número de voluntários foi tamanho que agora há diversos subgrupos para estudos das mais variadas vertentes”, conta Martensen.

Advogados voluntários estão analisando a parte legal da catástrofe, enquanto moradores auxiliam na coleta de amostras. Pesquisadores colaboram cedendo estudos sobre a região ou oferecendo novas análises aprofundadas da fauna e da flora.

O Giaia planeja colocar em um site todos os estudos, publicados de maneira que qualquer leigo consiga compreender os resultados. As informações estarão disponíveis em detalhes, com a origem da amostras analisadas, quem as colheu, quando e qual o laboratório responsável pela análise.

“Junto com a tragédia veio uma enxurrada de informação e não sabíamos quem tinha razão na análise de dados”, explicou Martensen. “Por exemplo, há quem acredite que o rio pode diluir a lama e voltar a viver, há quem diga que ele está morto. Não compramos nenhuma resposta, mas incentivamos os estudos para compreender a situação.”

O grupo conseguiu amostras da água e do solo limpos, antes de a lama alcançar a foz do rio, e por isso será capaz de fazer diversos estudos comparando o antes e depois. As amostras serão encaminhadas para diferentes laboratórios para garantir resultados precisos dos danos na bacia do rio Doce. “Sem vínculos com empresas, queremos divulgar os resultados sem interesses subjetivos”, ressalta o biólogo.

O projeto animou a comunidade científica. Além de criar um grande acervo de pesquisa capaz de viabilizar respostas claras sobre o acidente, o projeto abre portas para estudos futuros.

(Fonte: UOL)

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