Como recuperar o rio Doce

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Olhos D’Água, projeto de Sebastião Salgado, quer recuperar todas as nascentes do rio
Voluntários do Instituto Terra fazem levantamento de nascente na bacia do rio Doce. (Imagem: Inst. Terra).
Voluntários do Instituto Terra fazem levantamento de nascente na bacia do rio Doce. (Imagem: Inst. Terra).

Devolver à natureza o que décadas de degradação ambiental destruiu. O desafio já é encarado por Sebastião Salgado há alguns anos, através do projeto Olhos D’Água, desenvolvido na própria bacia do rio Doce, em Minas Gerais.

O fotógrafo Sebastião Salgado, premiado internacionalmente pelo seu trabalho atrás das lentes, é mineiro de Aimorés, uma cidade às margens do rio Doce. “Tenho muita ligação com o rio. Faz parte da minha vida”, disse o fotógrafo ao Blog do Planalto. “Passei minha infância lá. Foi lá que aprendi a nadar, que tirei minhas primeiras fotos. Hoje o rio morreu, ecologicamente. Não existe mais nada, não existe vida no rio. Primeiro morreu toda a fauna, a flora está morrendo. É um negócio chocante ver o ‘seu’ rio morrer. Essa tragédia me atingiu diretamente”, contou, pouco depois de o mar de lama tomar conta do rio.

Segundo Sebastião, “é possível” salvar o rio. O projeto Olhos D’Água abrange a regeneração dos cerca de 900 km de extensão do rio, que possui cerca de 370 mil nascentes. “Nós pretendemos recuperar todas elas”, afirmou.

“Quando houve essa catástrofe, é claro que o único projeto estruturado de recuperação das nascentes do rio Doce, era o nosso projeto”. Sebastião referia-se ao projeto que já vem sendo desenvolvido no Espírito Santo, através do Instituto Terra, idealizado pelo fotógrafo, cuja meta é recuperar mil nascentes na bacia do rio Doce.

Para ampliar essa ação ao longo de todo o rio, Salgado propõe a criação de um “mega fundo”, que custearia as ações.

“Resolver o problema do rio Doce é a médio, longo prazo, porque a curto prazo não resolve. E isso precisa de financiamento. O pensamento que a gente tem é de investir nesse fundo. Com o resultado, você consegue trabalhar a recuperação do vale, que não se fará em menos de 30 anos. Tem de garantir uma gestão ética, para poder ter uma utilização decente do fundo, com participação pública e privada”, detalhou.

O que está sendo feito

A mineradora Samarco terá que depositar R$ 2 bilhões nas contas da Justiça para garantir a adoção de contenção dos impactos, revitalização do Rio Doce e indenização das pessoas afetadas pelo rompimento da barragem Fundão, em Mariana (MG).

Licenças de concessões de exploração da Vale e BHP, que controlam a Samarco, estão suspensas.

As empresas também deverão formular um plano global de recuperação socioambiental da bacia do rio Doce e de toda a área degradada e apresentar um plano geral de recuperação socioeconômica para atendimento das populações atingidas pelo desastre.

A Samarco também terá que fazer, o mapeamento dos diferentes potenciais de resiliência dos 1.469 hectares diretamente atingidos, para averiguar a espessura da cobertura da lama, a eventual presença de metais pesados e o PH do material. A determinação ainda obriga a companhia a adotar medidas para retirar o volume de lama depositado nas margens do rio Doce, seus afluentes e as adjacências de sua foz.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e o Ministério Público Federal estão unificando ações para definir um plano de recuperação da bacia hidrográfica.

Enquanto a ação efetiva não chega, a lama ainda continua vazando na barragem rompida.

(Com informações do Instituto Terra e ABr)

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