Curitiba ganha nova estação ecológica

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Descoberta durante um levantamento da Secretaria do Meio Ambiente, a área conserva espécies que não eram encontradas na capital há mais de 50 anos.
A estação conserva espécies que remontam à época da colinização da cidade. (Imagem: Sema)
A estação conserva espécies que remontam à época da colinização da cidade. (Imagem: Sema)

270 mil metros quadrados de uma área vizinha ao zoológico de Curitiba, onde já foram identificadas em torno de 200 espécies vegetais específicas dos campos de altitude da capital paranaense – 170 delas inéditas, além de dezenas de espécies arbóreas, é a mais nova área de preservação do estado.

Batizada de Estação Ecológica Campos Naturais de Curitiba Tereza Urban, homenagem  à jornalista, escritora e ambientalista curitibana, a área é de grande valor científico, ecológico, histórico e cultural, já que remonta aos primórdios da região, num período muito anterior à ocupação humana. Segundo o biólogo, José Tadeu Motta, do Museu Botânico de Curitiba, foram encontradas espécies que não eram coletadas no Paraná desde a década de 60, como as Solanaceae e Polygalaceae, além de espécies em extinção como o Xaxim e as Araucárias.

Segundo Maurício Savi, biólogo e assessor da SEMA, “a Estação Ecológica não é uma área voltada para recreação, mas sim para pesquisa e educação ambiental”. Uma área de 25 mil metros quadrados no entorno da unidade também vai compor o ambiente. Técnicos da prefeitura convenceram os proprietários de terrenos no entorno a criarem cinco Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNMs), com cerca de cinco mil metros quadrados cada uma, que formarão um mosaico de conservação ao redor da estação.

História

Por volta de 1820, ao visitar Curitiba e os Campos Gerais, o botânico e naturalista Auguste de Saint-Hilaire deparou-se com uma paisagem que jamais tinha vislumbrado em suas andanças pelo mundo: eram os campos naturais, repletos de flores de variadas espécies e cores, com partes úmidas e outras secas, cercados de florestas e adornados por imponentes araucárias.

Nesse ambiente viviam inúmeras espécies de mamíferos, aves, anfíbios, borboletas e besouros, entre muitos outros animais. Diante dessa visão, Saint-Hilaire escreveu que “se há paraíso na Terra, ele é aqui, nesses campos”.

Segundo os pesquisadores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a área encontrada é uma última área de campos naturais em Curitiba que preserva as características de quatro ecossistemas que se completam: campos secos, campos úmidos, floresta de galeria (que acompanha os rios e córregos) e Floresta com Araucária.

Estudos publicados no livro “Campos Sulinos – Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade”, assinados por Hermann Behling, Vivian Jeske-Peruschka, Lisa Schüler e Valério De Patta Pillar, há informações sobre a formação das áreas campestres do Sul do Brasil, região em que se encontra Curitiba. Segundo os autores, pesquisas com grãos de pólen e esporos fossilizados ajudaram a identificar o tipo de vegetação que existia na região há milhares de anos.

Os estudos apontam que a formação campestre começou a surgir há cerca de 43 mil anos, num período glacial que, nesta região, se caracterizava por grandes secas, geadas e temperaturas que atingiam os 10 graus negativos. A vegetação arbórea surgiu milênios mais tarde, favorecida pela mudança climática que começou a elevar as temperaturas. Já a ocupação humana aconteceu muito mais tarde, há pouco mais de quatro mil anos.

Tereza Urban

Nascida em 1946, Teresa Urban formou-se em jornalismo em 1967 pela Universidade Federal do Paraná. Durante o Regime Militar, Teresa foi presa diversas vezes e exilou-se no Chile de 1970 a 1972. Teve dificuldade no início da vida profissional, pela sua influência e participação das redes de movimento de esquerda radical, até que foi contratada pela jornal “A Voz do Paraná” no final da década de 1970. Teve participações nos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, e na revista “Veja”, entre outros, consolidando-se como uma pioneira no jornalismo ambiental.

 Teve a oportunidade de escrever diversas obras, contando com mais de vinte títulos. Aderiu aos projetos das ONGs SOS Mata Atlântica e Mater Natura. Contribuiu para o mapeamento dos remanescentes da floresta de araucária no estado do Paraná e ajudou a desenvolver a Rede Verde de Informações Ambientais, além de atuar também no Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Sempre a postos para projetos na área ambiental e de direitos humanos, reportou e escreveu sobre a Chácara dos Meninos de 4 Pinheiros, por exemplo, sobre as populações ribeirinhas e sobre agricultura familiar em Mandirituba, e agiu em diversas frentes para o fechamento da Estrada do Colono, ligação de terra entre as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema, com aproximadamente 17 km, passando por dentro do Parque Nacional do Iguaçu, fechada em 2003.

Na madrugada do dia 25 de junho de 2013, Teresa foi internada na Unidade de Terapia Intensa (UTI), vítima de um infarto. Não resistiu e veio a falecer na noite de quarta-feira, 26 de junho, aos 67 anos no Hospital Vita na cidade de Curitiba, deixando os filhos Gunther e Guadalupe.

(Fontes: Sema e SPVS- Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental)

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