Lama da Samarco ameaça Abrolhos

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Dois meses depois do rompimento das barragens da mineradora, a lama que destruiu a vida no rio Doce começa a afetar a vida no santuário do arquipélogo
Arquipélago de Abrolhos, santuário da vida marinha ameaçado. (Imagem: Ibama)
Arquipélago de Abrolhos, santuário da vida marinha ameaçado. (Imagem: Ibama)

A lama com rejeitos de mineração que vazou após a ruptura das barragens em Mariana (MG), em novembro, chegou ao litoral sul da Bahia, na região de Trancoso e Porto Seguro, próximo ao arquipélago de Abrolhos.

Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, sobrevoaram a região e observaram a presença da mancha de lama perto do arquipélago de Abrolhos, uma das mais importantes áreas de preservação da vida marinha na costa brasileira.

A chegada da lama à região de Abrolhos ocorreu após a mancha de rejeitos ter invertido a tendência de seguir ao sul no mar, a partir da foz do Rio Doce, como vinha sendo observado.  “A mancha que vinha se espraiando na direção sul ao longo do litoral do Espírito Santo, nos últimos dias, em função de um vento sul muito forte, também se espraiou para o litoral norte”, disse Marilene Ramos, presidente do Ibama.

Foi identificado, assim, o crescimento de duas manchas de lama sobre a lâmina d’água oceânica a partir do litoral capixaba. Esse material, agora, entendeu-se do litoral norte capixaba até o Sul da Bahia, próximo à região de Trancoso e Porto Seguro.

Uma mancha de turbidez mais densa, ou seja, com maior concentração de lama, cresceu de 260 quilômetros quadrados para 392 quilômetros quadrados apenas entre terça-feira e quarta-feira desta semana. Isso resultou em uma extensão dessa mancha por cerca de 40 quilômetros ao norte da costa capixaba – além de outros 30 quilômetros ao sul. Neste caso, a lama continua no litoral do Espírito Santo e ainda não há estimativa se pode chegar à Bahia, apesar do avanço.

Já a mancha com menor concentração de lama avançou de 4.470 quilômetros quadrados para 6.197 quilômetros quadrados no mesmo período. Foi exatamente está mancha que chegou a Abrolhos, após se estender por cerca de 200 quilômetros entre o norte da costa capixaba e sul da Bahia.

Ameaça

A chegada da mancha de lama ao litoral sul da Bahia pode significar uma ameaça à vida da reserva marinha, devido ao banco de corais que forma Abrolhos, onde peixes e outros animais vão se reproduzir. Isto porque, sem luz do sol, a reprodução de algas para alimentação fica prejudicada,  entre outros impactos.  “O Parque Nacional de Abrolhos é uma das maiores diversidades ambientais do Atlântico”, observou o presidente do ICMbio, Cláudio Maretti.

De acordo com o presidente do ICMBio, Abrolhos é “uma das áreas de maior biodiversidade de corais de todo o Atlântico” e de importância científica altamente relevante. “O primeiro impacto que vem disso é a diminuição da produtividade da vegetação marinha, o fitoplâncton, e da produtividade dos corais. É como se agente pusesse uma mancha preta, uma fumaça preta, escura, tapando a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica que ela não pudesse receber o sol todo dia e continuar sua fotossíntese”.

(Fonte: ABr)

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