Marina Silva: “A civilização, com seus problemas e crises, é obra de todos nós”

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Para a ambientalista, um movimento social não pode ficar restrito a escrever manifestos ou gritar frases com exigências
Marina Silva. (Imagem: Agencia Brasil)
Marina Silva. (Imagem: Agencia Brasil)

“O movimento socioambiental está diante de uma mudança de paradigma. Precisamos atualizar nossa abordagem e estratégias fazendo uso inteligente das novas oportunidades que o advento da internet e das redes sociais nos trazem”. A declaração e de Marina Silva, durante sua palestra no 8º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, promovido pelo Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Segundo a ambientalista, é necessário deixar de usar crenças ultrapassadas como a ideia de que somente os outros são os culpados. “É claro que há uma responsabilidade do sistema, dos governos, dos devastadores, das empresas que não tomam cuidados sociais ou ambientais. Mas as responsabilidades de cada um de nós não podem ser esquecidas. Nós fazemos escolhas todos os dias: o que comemos, o que vestimos, o modo como nos relacionamos com os outros, com a natureza e com a sociedade. A civilização, com seus problemas e crises, é obra de todos nós”, ressaltou.

Não basta apenas falar para modificar a realidade, é preciso agir pensando nas consequências. “Fazer uma obra sem cuidado social e ambiental provoca problemas e não adianta dizer que é ‘desenvolvimento sustentável’ ou ‘inclusão social’ ou qualquer palavra bonita”. Ela afirmou também que um movimento social não pode ficar restrito a escrever manifestos ou gritar frases com exigências, pois, muitas vezes, isso não gera consequências práticas.

Para Marina Silva, a aproximação do cidadão comum da temática ambiental só se dará quando ele entender que muitas das mazelas que enfrenta cotidianamente, como a falta de água ou a ocorrência de algumas doenças, são causadas por problemas ambientais. “Precisamos mostrar que a má qualidade do ambiente afeta significativamente a vida e o futuro das pessoas. Em muitos casos, um problema de saúde não vai ser resolvido apenas com a abordagem convencional da medicina, mas com uma melhoria no ambiente em que a pessoa vive”, ressaltou. Exemplo disso são as doenças derivadas da contaminação do ar nas grandes cidades e do consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos.

Segundo a ambientalista, estabelecer e disseminar o conhecimento dessas correlações é fundamental e pode fazer do cidadão, “um consumidor mais exigente de qualidade ambiental nos produtos e um eleitor que leve em consideração questão ambiental quando escolher seus governantes”, aponta.

(Fonte: WWF Brasil)

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