O que é legado ambiental

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“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Artigo 225 da Constituição Federal.
Barco recolhe o lixo na raia olímpica. (Imagem: Tomaz Silva/ Agência Brasil).
Barco recolhe o lixo na raia olímpica. (Imagem: Tomaz Silva/ Agência Brasil).

Segundo os dicionários de língua portuguesa, legado é algo deixado para alguém em testamento. É a transmissão de algum bem, seja ele monetário ou não, para outra pessoa de livre e espontânea vontade. Assim, o legado pode ser histórico, cultural, patrimonial ou ambiental.

Em se falando de meio ambiente, o legado possível de se deixar para alguém passa pela manutenção das florestas, água limpa, ar respirável, ecossistemas equilibrados, sistemas educacionais que transmitam sustentabilidade e até mesmo cidades saudáveis.

Em que pese atitudes e projetos isolados que buscam esses objetivos, estamos muito longe de deixarmos para as gerações futuras  um legado ambiental que contribua para a sua qualidade de vida.

Somos reféns de políticas e sistema econômico que priorizam o consumismo e deixam em segundo plano a qualidade ambiental como premissa para uma vida saudável.

O exemplo mais recente vem do Rio de Janeiro, palco das Olimpíadas 2016. A exemplo do que já havia acontecido com a Copa do Mundo de 2014, o que deveria ser o legado ambiental do jogos foi deixado de lado.

Matéria publicada na imprensa online trouxe a notícia, já esperada: o Tribunal de Contas da União – TCU vai mostrar em relatório que está em fase final de conclusão que o legado ambiental dos Jogos Olímpicos do Rio, uma das promessas da organização da Olimpíada, deve ser praticamente nulo.

Entre as promessas que constavam no dossiê de candidatura da cidade para sediar a Olimpíada estavam, por exemplo, a despoluição da baía de Guanabara, a limpeza da Lagoa Rodrigo de Freitas e obras de esgotamento sanitário em várias áreas da cidade.

O Rio prometeu em sua candidatura olímpica tratar 80 por cento do esgoto lançado na baía, que vai receber as provas de vela dos Jogos Olímpicos. No lugar disso, optou-se por medidas paliativas: barcos “cata lixo” percorrem diariamente a raia olímpica recolhendo o lixo que chega à baía, empurrado pelo esgoto, rios e riachos que ali deságuam.

Uma das conclusões da área técnica do TCU é que a mudança de diversas obras da Matriz de Responsabilidade dos Jogos para o Plano de Antecipação e Ampliação de Investimentos em Políticas Públicas (PAAIPP) – formado por obras de melhoria da cidade do Rio de Janeiro – prejudicou o andamento das questões ambientais.

A mudança desvinculou as obras dos Jogos Olímpicos, retirando a obrigatoriedade de que fossem terminadas para os Jogos. Além disso, o PAAIPP não chegou nem mesmo a ser aprovado, o que desobrigou Estado e município de construí-las. Ou seja, o legado ambiental ficou no discurso, mais uma vez.

Até quando ainda vamos aceitar promessas que sabemos não serão cumpridas? Que legado queremos deixar para nossos filhos?

“Podemos perdoar a destruição do passado, causada pela ignorância. Agora, no entanto, temos a responsabilidade de examinar eticamente o que herdamos e o que passaremos às gerações futuras”. Dalai Lama.

(Com informações do UOL)

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