Pesquisadores criam filme comestível para embalar produtos

Em busca de alternativas para reduzir o lixo descartado pelo consumismo, eles descobriram uma proteína do leite que pode ser usada na produção de um filme comestível e biodegradável.
filmes em diversos sabores produzidos na Embrapa. (Imagem: divulgação).
filmes em diversos sabores produzidos na Embrapa. (Imagem: divulgação).

Aquele plástico que embala a carne, o presunto e o queijo, conhecido como filme, está com os dias contados, se depender dos pesquisadores da Embrapa e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA. Ele poderá ser incorporado na alimentação.

Feito de policloreto de polivinila, ou PVC, a reciclagem desse plástico é mais complicada. Estudos apontam ainda que o filme pode ser responsável pela contaminação dos alimentos ao liberar substâncias químicas nocivas ao organismo. Ao contrário da maioria das embalagens que podem ser incorporadas à cadeia da reciclagem, o filme de PVC depende de muita química e tempo para sumir depois de usado.

Os pesquisadores dos EUA, em busca de alternativas para reduzir o lixo descartado pelo consumismo, descobriram uma proteína do leite, a caseína, que pode ser usada na produção de um filme comestível e biodegradável.

A fim de produzir embalagens mais práticas, a equipe americana adicionou glicerol e pectina cítrica ao filme de caseína, que é feito a partir de uma mistura de água e pó de caseína já disponível comercialmente. O glicerol torna o filme de proteína mais macio e a pectina cítrica proporciona mais estrutura, garantindo maior resistência à umidade e temperaturas elevadas. E a pectina é boa para a saúde.

“Filme de morango”

Já que é orgânico, o filme pode ser produzido com adição de sabores, vitaminas e outros ingredientes que podem inclusive tornar a embalagem e o alimento mais saborosos e nutritivos.

Uma das possibilidades seria dissolver a embalagem como um sachê de café ou sopa. Em vez de cortar a parte superior e despejar o conteúdo, daria para dissolver tudo em água quente e o processo de dissolução aumentaria o conteúdo proteico.

Outro potencial uso seria em invólucros unitários com alto conteúdo de plástico, como aqueles que envolvem rolinhos individuais de queijo industrializado.

Plástico brasileiro

No Brasil, a Embrapa Pesquisa Agropecuária vem estudando os filmes comestíveis há algum tempo na cadeia da nanotecnologia. Em laboratório já foram produzidos filmes à base de espinafre, beterraba, cenoura, tomate, mamão, goiaba, entre outros sabores.

“O trabalho de desenvolver filmes a partir de frutas tropicais é pioneiro no mundo”, ressalta o doutor em engenharia de materiais Luiz Henrique Capparelli Mattoso, coordenador da pesquisa.

O plástico comestível brasileiro é feito basicamente de alimento desidratado misturado a um nanomaterial que tem a função de dar liga ao conjunto. A produção pode utilizar rejeitos da indústria alimentícia, contribuindo com a sustentabilidade do planeta, já que reaproveita rejeitos de alimentos e substitui uma embalagem sintética que seria descartada no meio ambiente.

(Com informações da Embrapa e uol.com.br)

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