Políticas públicas em Paris tiraram das ruas mais de 230 mil veículos

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Uma cidade que constrói rodovias e ruas terá mais carros circulando. Se forem ciclovias, serão mais bicicletas.
Margens do rio Sena, em Paris, foram transformadas em local de lazer para a população.
Margens do rio Sena, em Paris, foram transformadas em local de lazer para a população.

Em 15 anos, a capital francesa reduziu em 28% o número de carros que circulam pelas ruas e cerca de um milhão de pessoas utilizam diariamente o transporte público. Paris mudou graças às políticas públicas adotadas pela administração municipal e a campanhas de conscientização e incentivo ao uso de meios alternativos de transporte, entre eles a bicicleta.

Com isso, o ar de Paris também mudou.

A mais recente medida foi a aprovação de um projeto para tornar uma área de 3,3 quilômetros da margem direita do rio Sena, onde circulam diariamente dezenas de milhares de veículos, em uma região totalmente para os pedestres, onde carros são proibidos.

O acesso dos veículos em pouco mais de 2 quilômetros da margem esquerda do Sena, entre o museu d’Orsay e a ponte d’Alma, já havia sido restrito em 2013.

A zona foi transformada em área de lazer, com atividades esportivas e culturais, além de bares e restaurantes.

A discussão interessa não só à capital francesa, mas às grandes cidades do mundo, incluindo aí as brasileiras. Entre as medidas discutidas estão o incentivo ao uso de bicicletas e a redução da velocidade em avenidas expressas, como as marginais paulistas.

Na capital francesa, a “guerra ao carro” começou em 2001. Entre as primeiras medidas dessa política estiveram a eliminação de faixas para os carros em ruas e avenidas de grande movimento. No lugar, foram criados corredores para ônibus, táxis e bicicletas.

Milhares de vagas de estacionamento nas ruas da capital também foram suprimidas.

Várias áreas, chamadas de “Paris Respira”, tiveram a velocidade limitada para 30 km/h. Outro pilar dessa política foi a valorização do uso da bicicleta. Uma medida emblemática foi a criação do Vélib, em 2007, o sistema de aluguel de bicicletas, copiado em várias cidades no mundo, como São Paulo e Londres.

Já são mais de mil estações em Paris e outras mais de 200 nos arredores da capital. O Vélib possui 300 mil assinantes (que pagam a anuidade de pouco mais de R$ 100, para utilizar o serviço o ano todo).

Diariamente, cerca de 160 mil trajetos são realizados, em média, nesse sistema.

As medidas incluem o advento do Autolib, sistema público de aluguel de carros elétricos, lançado pela prefeitura em 2011 e disponível em quase 80 municípios nos arredores da capital. A iniciativa possui mais de 100 mil assinantes anuais.

Atualmente, um programa de investimentos milionários prevê dobrar a extensão das ciclovias, passando dos atuais 700 quilômetros (eram 180 em 2000) para 1,4 mil quilômetros até 2020.

Os recursos preveem ciclovias com maior segurança, separadas do restante do trânsito, além de novas áreas onde a velocidade dos carros será limitada a 30 Km/h, a criação de uma via expressa para ciclistas e 10 mil vagas de estacionamento para bicicletas.

As medidas incluem incentivos econômicos para aquisição de transporte alternativo ao carro.

Transporte público

E um dos maiores focos foi o metrô. Com praticamente uma estação a cada esquina, a rede parisiense possui atualmente uma malha de cerca de 220 km (terá mais 200 km até 2030).

É praticamente o triplo dos cerca de 75 km em São Paulo, embora a área de Paris seja quase 15 vezes menor do que a da capital paulistana.

Algumas linhas do metrô parisiense ganharam vagões mais amplos e com ar-condicionado para melhorar o conforto dos passageiros.

Quatro novas linhas de metrô, que circularão na periferia da capital, serão criadas nos próximos anos.

Elas integram um gigantesco projeto, chamado “Grande Paris”, que conta com recursos ministeriais e regionais para a modernização e a extensão da rede ferroviária suburbana e a criação de um “supermetrô”, batizado “Grand Paris Express”.

(Fonte: BBC Brasil)

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