Por que as barragens se rompem

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Nenhuma barragem se rompe por acaso
Cenário após o rompimento da barragem em Mariana, MG. (Foto: Agência Brasil)
Cenário após o rompimento da barragem em Mariana, MG. (Foto: Agência Brasil)

Classificado pela empresa como “massa residual”, mais de um milhão de metros cúbicos vazou da barragem de Fundão, em Mariana, MG, administrada pela Samarco Mineradora, quase três meses depois da maior tragédia ambiental que matou o rio Doce e ceifou vidas.

Resultado da falta de compromisso com o meio ambiente e o cidadão, o “jeitinho” de se fazer as coisas no Brasil atropela leis, deixa de lado a ética e desconsidera as forças naturais que regem a vida na Terra.

Quase três meses depois, em Mariana nada foi feito: o plano de ação de emergência (Dam Break) para o caso de rompimento das barragens de Germano e Santarém – vizinhas da Fundão – não foi apresentado, as indenizações às vítimas não foram pagas, nada foi feito ao longo do rio Doce para tentar a recuperação do meio ambiente e, pior, a lama continua vazando.

Segundo nota do Ministério Público de Minas Gerais, “Não é possível que (…) as ações sejam lentas, insuficientes e descoordenadas como aconteceu quando do rompimento da barragem do Fundão”.

No Brasil, informações do Departamento Nacional de Produção Mineral dão conta de que o Brasil tem pelo menos 16 barragens com rejeitos minerais que correm o risco de se romperem, a maioria delas no Amazonas. O levantamento do DNPM é de abril de 2014.

Por que as barragens se rompem

Nenhuma barragem se rompe por acaso. Na maioria dos casos de rompimento de barragens o planejamento de construção não considera a possibilidade de que se rompam. Se considerado fosse, jamais comunidades poderiam se instalar ou permanecer em áreas de risco. Haveria a necessidade de que comunidades em áreas de risco fossem relocadas, o que, para as construtoras, significa mais investimentos. E isso nem sempre faz parte das análises de risco dos empreendimentos.

Inclua-se aí o licenciamento ambiental, necessário para qualquer obra. Em recente artigo publicado no site “Ecológico”, o ex-presidente do Instituto Mineiro de Gestão das Águas e da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais, Willer Pós, diz que “os custos de licenciamentos, que não são baratos, são para ser usados na análise técnica e vistoria dos empreendimentos, dando segurança e garantia à população. Mas hoje são usados não para o meio ambiente, para estancar a degradação da natureza; mas para financiar o aparelho de Estado”.

Por fim, o monitoramento, a falta de vistoria e um checklist periódico, de responsabilidade do poder público, além de um plano de emergência, são problemas que podem levar ao rompimento de barragens, como aconteceu em Mariana.

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