Povos do Alto Rio Negro mostram na COP21 calendário indígena

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O Calendário dos Ciclos do rio Tiquié apresenta pesquisa inédita que identifica os ciclos de pesca, caça, frutificação e cultivos
Calendário agrícola praticado pelos índios do rio Tiquié. (Imagem: divulgação)
Calendário agrícola praticado pelos índios do rio Tiquié. (Imagem: divulgação)

O conhecimento dos povos indígenas, transmitido de geração a geração em cada aldeia, agora está disponível a quem interessar possa, na internet.

O Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com o InfoAmazonia, lançou em Paris, durante a Cúpula das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 21, o calendário indígena dos ciclos do rio Tiquié.

A obra é resultado de uma pesquisa colaborativa desenvolvida por comunidades e associações indígenas no Alto Rio Negro, noroeste do estado do Amazonas, na fronteira com a Colômbia.

Junto com o ISA, os indígenas do rio Tiquié apresentaram pesquisa inédita que identifica, em sua bacia, os ciclos de pesca, caça, frutificação e cultivos. Os ciclos estão relacionados a outros elementos, como o ciclo hidrológico e às constelações astronômicas. Os dados foram coletados entre os anos 2005 e 2008, com a participação de uma equipe de pesquisadores e agentes comunitários designados por suas comunidades.

A pesquisa sobre os ciclos anuais, em conjunto com estudos sobre clima, ecologia, agronomia etc., está gerando informações detalhadas referentes aos ciclos anuais a partir de observações e interpretações realizadas nas comunidades indígenas e, assim, permitindo apreender possíveis mudanças climáticas nessa região, bem como criar entendimento e propostas para políticas públicas pertinentes.

Outro resultado é o desenvolvimento e aplicação prática de metodologias de monitoramento e análise ambiental que poderão ser estendidas para outras regiões do rio Negro e da Amazônia. Essa pesquisa permitirá aos pesquisadores e lideranças indígenas discutir simetricamente a questão das mudanças climáticas e os impactos em seus territórios e formas de manejo, bem como as políticas de governança ambiental para a Amazônia.

Atualmente, 21% da extensão da Amazônia é ocupada e reconhecida como de usufruto exclusivo dos povos indígenas. Na Amazônia brasileira essa proporção é de 22%, enquanto na Colômbia supera os 50%.

O calendário e a pesquisa podem ser acessados no endereço http://ciclostiquie.socioambiental.org/

(Fonte: UOL)

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