Produção agrícola produz 25 vezes mais proteínas do que a criação de gado

0 1059
Em uma área 2,6 vezes menor do que a utilizada pela pecuária, a agricultura é 65 vezes mais eficiente

pecuaria

Uma pesquisa inédita realizada pela organização não governamental Imaflora analisou a safra brasileira sob o aspecto funcional dos produtos agropecuários, ou seja, a capacidade de cada produto em produzir proteína, elemento básico para a alimentação humana e animal.

O resultado foi fantástico: a agricultura produz 25 vezes mais proteínas do que a pecuária.

A análise foi feita isolando-se os elementos básicos de cada produto e comparando-os de acordo com o seu valor funcional. “Transformamos a produção agrícola e pecuária em proteína, energia aproveitável para a alimentação humana e animal e energia disponível, mas não aproveitável para a alimentação humana”, diz o relatório da ONG. A base da pesquisa foram os censos agropecuários realizados pelo IBGE entre 1975 e 2006, e estimativas projetadas até 2020.

Em 2006, a agricultura produziu 38,5 milhões de toneladas de proteínas em 60 milhões de hectares. A pecuária produziu 1,5 milhão de toneladas de proteínas em 160 milhões de hectares, uma área 2,6 vezes maior do que a ocupada com produtos agrícolas. A eficiência de produção de proteína na agricultura nesse mesmo ano foi 65 vezes maior do que na pecuária  (0,60 toneladas de proteína por hectare na agricultura e 0,01 ton/há na pecuária).

O organismo humano precisa de 2.500 quilocalorias por dia (3,82 giga joules por ano) e 18 quilos de proteínas por ano (50 gramas por dia). Na safra de 2006, a agricultura produziu 2,5 x 109 giga joules de energia metabolizável, ou seja, a energia necessária para a alimentação humana e animal, enquanto a pecuária produziu 0,1 x 109 Giga joules.

“A safra de 2006 foi suficiente para alimentar 641 milhões de pessoas com energia ou 2,1 bilhões de pessoas com proteínas. A safra pecuária foi suficiente para alimentar 17 milhões de pessoas com energia ou 85 milhões de pessoas com proteínas”, diz o relatório final do estudo.

A pesquisa também analisou a emissão relativa de gases de efeito estufa e confirmou o que todos já sabem: bois e vacas contribuem muito mais para o aquecimento global do que a produção de vegetais. A digestão da celulose vinda das pastagens no estômago dos bovinos produz metano, um dos piores gases de efeito estufa.

Para cada quilo de proteína a pecuária emite o equivalente a 220 quilos de CO2 enquanto que na agricultura essa emissão fica em 1,4 quilo de CO2 para cada quilo de proteína produzida.

No que diz respeito aos custos, para Luiz Fernando Guedes Pinto e Vinicius Guidotti de Faria, responsáveis pela análise, “o valor e o preço dos alimentos não refletem coisas que deveriam ser consideradas”.

O valor da produção da agricultura é apenas duas vezes maior do que da pecuária, mesmo produzindo 25 vezes mais proteína e 37 vezes mais energia. “Isto indica que o mercado não reflete adequadamente a funcionalidade, eficiência e o impacto destas atividades”, dizem os pesquisadores.

Segundo a análise, “além dos ajustes necessários no mercado, uma intervenção pública é imprescindível para induzir mudanças de uso da terra e produção, visando otimizar a eficiência funcional da agropecuária brasileira e com isto contribuir para minimizar seus impactos ambientais e sociais”.

Isso não significa que as pessoas precisem necessariamente mudar seus hábitos de consumo e se tornarem vegetarianas, pelo contrário, é preciso encontrar equilíbrio em uma dieta saudável e sustentável.

A pesquisa está disponível no link http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/56a7b164cb810_Sustentabildadeemdebate2-analisefuncionalsafradezembro2015final.pdf.

NO COMMENTS

Leave a Reply