Saiba mais sobre a extração do gás de xisto

0 3357
Compartilhe Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPrint this pageEmail this to someone
Danos ao meio ambiente, à produção agrícola e à saúde das pessoas estão entre as preocupações da população e dos ambientalistas
(Infográfico: Revista Planeta)
(Infográfico: Revista Planeta)

Na contramão das energias renováveis a exploração do xisto como fonte de energia vem causando polêmica entre os ambientalistas e a população que habita as áreas de mineração.

Xisto é o nome popular da rocha denominada folhelho. Uma de suas variações, o xisto betuminoso, contém querogênio nos poros, uma mistura de compostos químicos orgânicos a partir da qual se produz hidrocarbonetos como óleo e gás (sobretudo metano).

Estima-se que os depósitos de xisto betuminoso no mundo equivaleriam a um volume entre 2,8 trilhões e 3,3 trilhões de barris de óleo recuperável, e 187,51 trilhões de metros cúbicos de gás de xisto.

A exploração do potencial do xisto ganhou força no mundo a partir dos Estados Unidos. Quando, em 2006, os EUA passaram a explorar as suas reservas de xisto e a extrair gás através do fracking – uma tecnologia barata que consiste no fraturamento da rocha para a liberação do óleo e do gás contido no xisto – os países com reservas da rocha no subsolo buscaram a mesma tecnologia para aproveitar o potencial do gás natural disponível em seus territórios.

Nos Estados Unidos, o gás de xisto representava apenas 1% da produção americana de energia no ano 2000 e a estimativa é que o país chegue a 2035 produzindo 50% da energia que consome através da extração do gás.

A justificativa para esse crescimento está na economia. Extrair gás de xisto é muito mais barato do que extrair petróleo. Nos EUA, o preço do gás caiu de US$ 12 para US$ 3 por milhão de BTU (sigla para British Termal Unit, “unidade térmica britânica”, medida usada para gás).

No Brasil, o xisto é explorado comercialmente desde 1972, quando a Petrobras abriu sua refinaria de Industrialização do Xisto, a SIX, em São Mateus do Sul, no Paraná. A cada dia, cerca de 7 mil toneladas de xisto são retiradas do solo por técnicas de mineração, moídas e submetidas a altas temperaturas. Desse processo são obtidos diariamente 4 mil barris de petróleo, além de derivados como o enxofre.

O exploração do gás de xisto, no entanto, é mais recente. Na avaliação da Agência Internacional de Energia, o Brasil é o décimo colocado em reservas de gás de xisto tecnicamente recuperável, com 6,4 trilhões de metros cúbicos de reservas, a maior parte delas sob o solo da Região Sul.

Danos ao meio ambiente
Depósito de resíduos da extração de xisto na usina da Petrobras em São Mateus do Sul, PR. (Imagem: SIX)
Depósito de resíduos da extração de xisto na usina da Petrobras em São Mateus do Sul, PR. (Imagem: SIX)

A técnica do fracking, no entanto, coloca em risco a saúde humana e o meio ambiente, dizem os ambientalistas.

Na Europa, o processo é permitido no Reino Unido e na Polônia, mas proibido na França e na Bulgária. Mesmo nos EUA, o faturamento da rocha não é unanimidade: os estados de Nova York, Pensilvânia e Texas possuem legislações que limitam a extração do gás.

O fraturamento hidráulico consiste na perfuração de poços para trazer à superfície os combustíveis contidos no xisto. Esses poços são perfurados verticalmente a profundidades que chegam a até dois mil metros. Quando se atinge a camada desejada, a perfuração passa a ser horizontal, numa extensão que costuma variar entre 300 e dois mil metros.

Por esse duto é injetada água a alta pressão, misturada com areia e produtos químicos. A pressão causa fraturas nas rochas, liberando o combustível que volta à superfície – junto a tudo o que foi injetado no subsolo – e é armazenado em tanques, ocorrendo então a separação dos produtos.

É quando começam as preocupações.

A maioria dos depósitos de xisto está abaixo dos lençóis d’água e aquíferos – no Paraná o Guarani. Se a vedação do poço tiver falhas, produtos químicos usados no fracking poderão ser liberados, contaminando a água do subsolo.

Mesmo que a vedação dos poços seja perfeita, a mistura de água, areia e produtos químicos – mais de 600 substâncias – injetada nos poços sobe gradualmente para a superfície, podendo contaminar o solo, nascentes e rios.

Por outro lado, a quantidade necessária de água para extrair os combustíveis do xisto é absurda. Calcula-se que um poço normal exija, em média, entre 11 e 30 milhões de litros de água durante sua vida útil que, segundo os especialistas não chega há 20 anos. Dificilmente essa água é reaproveitada.

Outro problema está na poluição originária do processo. Um estudo da Universidade Cornell divulgado em 2011 na revista Climatic Science, estima que a pegada de carbono do processo de extração do gás de xisto seja até 20% maior do que a do carvão, o mais “sujo” dos combustíveis fósseis.

Há temores ainda que o fracking possa causar abalos sísmicos.

Compartilhe Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPrint this pageEmail this to someone

NO COMMENTS

Leave a Reply