Sapos contra a dengue, chikungunha e companhia

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Equilíbrio ambiental é responsável pela redução de mosquitos transmissores de doenças em São Paulo.

sapo

A natureza mostra o problema e dá a solução. É assim que funciona no meio ambiente.

O desequilíbrio que o desenvolvimento trouxe e o abismo econômico entre os mais ricos e os mais pobres contribuem com a proliferação de agentes transmissores de doenças, entre eles os mosquitos.

Dengue, chikungunha, febre amarela, entre outras, todas doenças transmitidas por mosquitos, tiram a tranquilidade e provocam medo. Afinal, a quantidade de mosquitos e focos das doenças, só faz aumentar. E aumentam por que o descaso com o meio ambiente é rotina: lixo jogado fora de qualquer jeito, saneamento inexistente, rios poluídos e predadores naturais eliminados.

Em São Paulo, a comunidade que vive nas vizinhanças da Praça da Nascente (Praça Romero Pompeia), na Pompeia, entendeu isso e se uniu para dar uma mãozinha ao equilíbrio ambiental.

Equilíbrio

O espaço que reúne oito nascentes do riacho Água Preta em dois lagos criados para receber toda a água das nascentes, foi encampado pelos moradores que desde o fim de 2016 vem criando um ecossistema de animais e plantas aquáticas que estão controlando as larvas de pernilongos e Aedes. Acompanhe a matéria produzida pelo jornal “O Estadão”.

“Sapinhos, peixinhos, insetos, camarões e caranguejos foram inseridos para recriar um micro-habitat em equilíbrio, que trouxesse à natureza predadores para os mosquitos”, diz o biólogo Sandro Von Matter, que voluntariamente fez o trabalho de introdução das espécies. Ele chegou à praça a convite da amiga Andrea Pesek, jardineira e ex-moradora da região e uma das ativistas do coletivo Ocupe e Abrace, que em 2013 iniciou o trabalho de recuperação do local.

“Isso aqui antes era um charco cheio de lixo, mosquitos, moscas, ratos. As nascentes tentavam correr, mas não conseguiam. Então fizemos os lagos. E logo colocamos peixes, para lidar com os mosquitos”, conta Andrea.

No princípio, foram colocados peixes “barrigudinhos” (também conhecidos como guppy ou lebiste), mas logo outras pessoas foram trazendo outros peixes, alguns sapos cururu aportaram por lá, e as larvas dos mosquitos começaram a desaparecer. No final de 2016, porém, os girinos atingiram uma quantidade preocupante e ela notou que o ambiente poderia estar em desequilíbrio. Andrea então pediu a ajuda de Von Matter, pesquisador do Instituto Passarinhar e especialista em restauração de ecossistemas, que já trabalhava com projetos de recuperação da natureza nativa em praças urbanas.

O problema é que não basta devolver só uma espécie à área, porque ela pode proliferar demais. “É importante reconstruir os links entre as espécies que são nativas dos ambientes. O que busquei foi recriar o ambiente como se fosse natural.”

Assim, caranguejos e camarões, que comem o girino, foram colocados para impedir que a população de sapos explodisse. Os anfíbios são importantes porque pegam o mosquito no ar, mas os girinos têm um papel interessante também dentro da água ao comer fungos e algas, deixando o ambiente mais estável, por exemplo, para insetos da família Notonectidae – aqueles que andam sobre a água – e também se alimentam das larvas dos mosquitos.

O trabalho de introdução dessas novas espécies começou a ser feito há dois meses.

(Fonte: O Estadão)

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