Sete passos para implantar a Agenda 21 na escola

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A escola é a responsável pela educação que influenciará na vida profissional, social e pessoal do aluno e em sua convivência familiar

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Criada durante o encontro de representantes de todo o mundo na Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, a Agenda 21 é um documento que traça os passos a serem dados em busca de qualidade de vida e melhorias das condições ambientais do planeta, em busca de um ambiente justo e saudável, com equilíbrio entre o ser humano, a natureza e a economia.

Na reunião do Rio, os países se comprometeram em estruturar a agenda em seus territórios, além de encaminhar às cidades as bases para a implantação da Agenda 21 Local. Diz o documento que não se poderá construir um mundo sustentável, saudável e com um ambiente protegido, sem que as respectivas ações nesse sentido tenham início nas bases dos habitantes que dominam o planeta e são capazes de transformá-lo para melhor ou pior, ou seja, os seres humanos.

As agendas locais – Estados, municípios, regiões e comunidades – têm, portanto, papel fundamental na elaboração da agenda nacional.

No Brasil, a estruturação da Agenda 21 se deu entre os anos de 1996 a 2002, através da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS) e teve o envolvimento de cerca de 40 mil pessoas de todo o Brasil. O documento Agenda 21 Brasileira foi concluído em 2002 e começou a ser implantada a partir do ano seguinte.

No entanto, de lá para cá pouco se avançou. Em 2012, 20 anos depois de discutida na Rio92,  a Pesquisa de Informações Municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, mostrava que foram criadas 1.300 agendas, 21 locais, num total de 5.565 municípios existentes no país. Mas, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA) em mais da metade delas sequer foi formado um fórum de discussão, que seria o primeiro passo após a criação da agenda.

Se em 20 anos pouco foi feito, nos últimos quatro anos praticamente nada saiu do papel.

Na escola

A escola é uma comunidade que tem influência efetiva não apenas dentro de seus muros, nos momentos de instrução a seus alunos, mas também em toda a comunidade formada pelos respectivos familiares e moradores de seu entorno.

A escola, em suas novas atribuições, estabelecidas passo a passo por técnicos do ensino, pode ser considerada o cérebro que comanda um corpo maior, constituído pelos lares dos alunos e pela comunidade em que está inserida, extrapolando em muito as estreitas divisas de seus muros e afetando diretamente a vida de um volume de pessoas extremamente maior do que o mero número de estudantes que a frequenta, sendo, por isso, também responsável pela avaliação crítica e física dos problemas sociais, pessoais e ambientais dos ramos dela derivados, e pela busca de auxílio em sua solução.

A escola é a responsável pela educação que influenciará na vida profissional, social e pessoal do aluno e em sua convivência familiar. A escola influencia e é influenciada pelos movimentos que agitam o seu entorno, como festividades, violência familiar e social, decisões da coletividade, desenvolvimento agrário, industrial e comercial, etc. Além disso, em muitas comunidades, a escola é o órgão ao qual os cidadãos recorrem, como se fosse um organismo de ajuda, apoio e resolução de problemas familiares ou sociais.

Portanto, nada mais útil e proveitoso do que se começar um processo de elaboração de Agenda 21 dentro do âmbito de atuação direta e indireta da escola.

Como elaborar a Agenda 21 na Escola
  • 1 – Tudo começa com a realização de um fórum de discussão, convocado de maneira oficial. Nesse fórum deverão ser escolhidos os participantes da respectiva comissão, que será presidida por um Coordenador Técnico, com o resumo dos trabalhos anotados por um relator. A comissão deverá contar, na medida do possível, com elementos da escola – tanto do corpo discente como do corpo docente -, da comunidade, do poder público, das lideranças locais, entidades não governamentais, etc.
  • 2 – Em seguida deve-se buscar a participação popular para o fórum e as reuniões periódicas da agenda, para o auxílio na detecção de problemas e em sua erradicação ou minimização. Buscar o auxílio dos órgãos da imprensa, para apoio educacional e jornalístico e de órgãos do poder público, ligados aos problemas apontados;
  • 3 – Promover ações dentro da escola, com os alunos, na pesquisa das situações prejudiciais ou degradantes e na elaboração de concursos, como redação e poesia sobre temas correlatos, como, por exemplo, “como gostaria de ver minha escola e meu bairro daqui a 10 anos”; gincanas educativas e construtivas, jogos cooperativos, atividades que possam despertar o sentimento de amor pela comunidade e de patriotismo, como ações voluntárias de ajuda a doentes, deficientes, desempregados, etc;
  • 4 – Trabalhar com ações práticas e economicamente viáveis, dentro de um processo de educação ambiental entrelaçado com criação de hortas comunitárias, ou hortas individuais, coleta seletiva de lixo e comercialização do lixo reciclável, cursos sobre compostagem dos resíduos orgânicos e sua aplicação nas hortas, comunitárias ou individuais, saneamento e tratamento de resíduos nas áreas rurais, etc;
  • 5 – Identificar os temas que serão incluídos no documento inicial a ser elaborado pela comissão escolhida e que se chamará “Agenda 21 Escolar da Escola …..”, devendo esses temas ser identificados pela comissão e pela comunidade participante do fórum. Os temas não deverão ultrapassar a dez ou doze, para que não se impossibilite a realização de tarefas em todas as frentes. É conveniente que sejam escolhidos especialistas ou professores das respectivas áreas para que, de início, façam um relatório da situação atual da comunidade a ser trabalhada, ou seja, o cenário inicial dos trabalhos, assim como um cenário do passado e uma projeção de um cenário ideal em um determinado prazo – 10 anos, por exemplo, dando publicidade desse levantamento
  • 6 – Elaboração de projetos e/ou planos estratégicos, ou seja, a discriminação, passo a passo, das atividades necessárias à realização dos objetivos previstos em cada um dos temas selecionados para a agenda, com cálculo de custos, de recursos materiais e humanos;
  • 7 – Finalmente, a implementação prática, etapa por etapa, daquelas previstas nos projetos e/ou planos estratégicos, angariando os recursos necessários dentro do plano de ação e atendendo às necessidades da etapa em andamento.

(Fonte: MMA)

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