Soluções da Samarco para “inglês ver”

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Mais de dois meses depois da tragédia ambiental em Mariana, empresa mostra plano de recuperação, enquanto a lama ainda escorre das barragens rompidas
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)

Mais de dois meses depois do pior desastre ambiental acontecido no Brasil, a mineradora Samarco apresentou ao Ibama o plano de recuperação das áreas devastadas pelo rompimento das barragens em Mariana, Minas Gerais.

As primeiras ações da empresa, que ainda estão sendo analisadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e não convenceram. 

A título de comparação de atitudes e seriedade com os problemas que afetam a população e o meio ambiente, lembramos do tsunami que arrasou parte do Japão, depois de um terremoto: em cerca de 30 dias, os japoneses já haviam restaurado rodovias, praticamente eliminado os entulhos e resgatado a dignidade de seu povo. No Brasil, ainda esperamos.

O documento da Samarco, com 80 páginas, traz mapas e fotografias dos locais atingidos entre Minas Gerais e o Espírito Santo. As fotos mostram que a empresa está construindo diques filtrantes entre as barragens e o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Os diques formam barreiras onde o rejeito de minério se deposita e fica retido. A ideia é permitir que passe apenas a água da chuva.

A mineradora também está fazendo obras para tentar acabar com uma erosão dentro da Barragem de Fundão, que se rompeu em novembro, e segurar os vinte milhões de metros cúbicos de rejeito que ainda estão lá.

Paliativo para “inglês ver”

Além disso, a empresa plantou 200 hectares com sementes de leguminosas e grama, que já estão crescendo e também ajudam a segurar os rejeitos. “A gente tinha uma dúvida muito grande se seria efetivo qualquer plantio em cima de verdadeiras pilhas ou praias de rejeito e estamos tendo aí uma grata surpresa, já com áreas germinadas, com plantas já com algum tamanho e com raízes de até um palmo”, diz Marcelo Belisário, superintendente do Ibama.

O Ibama criou um grupo para estudar o plano feito pela Samarco. Quinze técnicos especialistas em águas, solo, fauna e flora vão se encontrar para analisar o documento e concluir se as soluções apresentadas estão dentro dos critérios de recuperação ambiental.

Para o Ibama, o documento não está completo. “Nós basicamente folheamos o documento e constatamos que se trata de um documento preliminar, que visa mais as ações iniciais e controlar as fontes de liberação de sedimento, que estão em curso até hoje”, alerta Marcelo.

Segundo a Samarco, o documento entregue ao Ibama é parte de um plano maior, que envolve a comunidade, o meio ambiente e todas as atividades das áreas afetadas. A empresa diz que que o plano pode ser adaptado, ou seja, as próximas decisões vão ser baseadas nos resultados das atividades que estão sendo implementadas agora.

Enquanto isso, a população ao longo do rio Doce espera, como todo brasileiro, que as coisas aconteçam.

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