desastre ambiental

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Agência Nacional de Águas prevê intervenções na bacia do rio Doce durante seis anos para a recuperação da qualidade da água.
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)

Desde 28 de março, data da publicação no Diário Oficial da União, está em vigor o acordo de cooperação técnica para estimular a formação de profissionais que auxiliem na recuperação da bacia hidrográfica do rio Doce, em função do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco em Mariana (MG).

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Relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente diz que o que está sendo feito está muito aquém das necessidades
Relatório do Ibama diz que prazos dados à Samarco dificilmente serão cumpridos. (Imagem: Ibama)
Relatório do Ibama diz que prazos dados à Samarco dificilmente serão cumpridos. (Imagem: Ibama)

Seis meses depois de a lama da Samarco substituir a água no leito do rio Doce, o relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, finalmente concluído, diz que a mineradora, controlada pelas empresas Vale e BHP, deve adotar medidas mais efetivas para conter os rejeitos remanescentes, reverter os impactos socioambientais e evitar novas tragédias. Detalhe: a lama nunca parou de vazar da represa de Fundão.

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O objetivo é construir consensos baseados em evidências sobre as consequências desse desastre ambiental de grande proporção
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)

O governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo decidiram contratar cientistas para pesquisar as consequências do desastre ambiental de Mariana. Serão destinados cerca de R$ 12 milhões a fim de auxiliar na elaboração de medidas para a recuperação do Rio Doce.

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Dois meses depois do rompimento das barragens da mineradora, a lama que destruiu a vida no rio Doce começa a afetar a vida no santuário do arquipélogo
Arquipélago de Abrolhos, santuário da vida marinha ameaçado. (Imagem: Ibama)
Arquipélago de Abrolhos, santuário da vida marinha ameaçado. (Imagem: Ibama)

A lama com rejeitos de mineração que vazou após a ruptura das barragens em Mariana (MG), em novembro, chegou ao litoral sul da Bahia, na região de Trancoso e Porto Seguro, próximo ao arquipélago de Abrolhos.

Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, sobrevoaram a região e observaram a presença da mancha de lama perto do arquipélago de Abrolhos, uma das mais importantes áreas de preservação da vida marinha na costa brasileira.

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Preocupação é com o aumento na vazão do rio Doce causada pelas chuvas
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)

As consequências do rompimento das barragens da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, já chegaram a 60 quilômetros de Vitória, no Espírito Santo, mar adentro. Ao norte, a mancha de partículas suspensas na água, chamada de pluma, chegou a 20 quilômetros e, segundo análises dos especialistas, a tendência é que se aproxime das praias.

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O que poderia ter sido feito para evitar esta que já é considerada a pior tragédia ambiental do planeta?
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)

Por Marcos Scotti – O rastro de destruição da lama das barragens da Samarco, empresa mineradora da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana, chegou ao mar do Espírito Santo, sem que medidas efetivas para conter ou amenizar os efeitos da lama fossem tomadas.

Enquanto a vida no rio Doce deixou de existir e no mar a vida marinha começa a boiar, inerte – segundo biólogos, o impacto no mar será proporcional a uma área do tamanho do Pantanal -, as discussões sobre o que deve ser feito e informações desencontradas recheiam a mídia, com declarações antagônicas sobre os perigos do rejeito da mineração, a lama da Samarco interditou as praias de Regência Augusta e Povoação.

“A lama não é tóxica”, diziam os técnicos da mineradora. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão responsável pela fiscalização de barragens de rejeitos, quando a lama chegou ao rio, disse que o rejeito de minério de ferro é classificado como inerte, ou seja, inofensivo. “Se ele chegar ao leito de um rio, por exemplo, a água poderá ficar turva, ocorrerá uma sedimentação, mas o consumo da água não terá impacto na saúde”.

A análise da água, no entanto, mostrou  alto índice de ferro, grande quantidade de mercúrio, altamente tóxico, e outros metais pesados. Ao longo da bacia do rio Doce 15 cidades deixaram de captar, tratar e abastecer a população com água. Cerca de 500 mil pessoas foram afetadas. Produtores rurais perderam animais que consumiram a água contaminada. A fauna do rio desapareceu. A flora ribeirinha e a fauna terrestre foram severamente castigadas na região de impacto.

“O desastre é enorme, é uma catástrofe, o pior desastre ambiental do país, e temos que tomar medidas inovadoras para resolver. A gente sabe que a parte de peixes, a fauna intocada, répteis, isso foi perdido. Além da recuperação de nascentes e uma série de situações estruturantes para a restauração da qualidade ambiental na bacia”, disse Izabela Teixeira, ministra do Meio Ambiente.

O que faltou

Mas afinal, o que poderia ter sido feito para evitar esta que já é considerada a pior tragédia ambiental do planeta?

Toda empresa com atividade de alto risco precisa de uma licença ambiental para ser instalada e um plano de contingência para casos como esse. A Samarco tinha a licença, mas não tinha um plano de contingência, um plano de emergência que pudesse minimizar os danos causados à vida humana e ao meio ambiente.

Toda atividade de alto risco precisa ainda ser monitorada e fiscalizada, constantemente. Mesmo com o alerta do Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE, de que havia risco de rompimento da barragem, nada foi feito. O monitoramento da barragem de fundão, se existisse, poderia ter feito soar o alarme a tempo de uma evacuação do distrito de Bento Rodrigues, dizem os especialistas no assunto. O monitoramento das barragens era precário e o alarme simplesmente não soou.

A fiscalização pelos órgãos ambientais que deveria acontecer, não houve. Segundo o órgão responsável pela fiscalização da mineradora em Mariana, no caso a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais, a licença de operação da Samarco estava vencida há dois anos e meio.

Enfim, a lama chegou ao mar, continua causando prejuízos, e nada do que poderia ter sido feito aconteceu. O Ministério do Meio Ambiente estima em pelo menos dez anos a recuperação dos ecossistemas na região afetada. Ambientalistas dizem que esse tempo é muito maior.

A negligência e os interesses econômicos e políticos, mais uma vez venceram. E não será uma multa de R$ 250 milhões que trará a vida de volta na bacia do rio Doce.

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Uma avaliação independente sobre os impactos causados pela lama em MG e ES, livre de interferências ou interesses, é o objetivo do grupo de voluntários
O mapa da lama.
O mapa da lama.

A lama que corre por Minas Gerais e Espírito Santo é tóxica? Qual o impacto real na fauna e na flora da região? Qual a qualidade da água? Quem deve responder legalmente pelo desastre? São muitas as perguntas em torno da catástrofe provocada pelo rompimento das barragens em Mariana e poucas as fontes confiáveis. Para tentar achar respostas livres de interesses privados ou tendenciosas, um grupo de pesquisadores e cientistas decidiu fazer uma avaliação independente dos impactos ambientais.