ecoturismo

Em mais uma edição do programa EA na Escola, produzido pelo Ineam, o biólogo e historiador fala de turismo, meio ambiente e história
Newton Carneiro. (Imagem: Ineam)
Newton Carneiro. (Imagem: Ineam)

Proporcionar conhecimento socioambiental na escola é criar consciência para a sustentabilidade e garantir um futuro menos sombrio para as gerações que estão vindo.

Na opinião de Newton Carneiro, historiador e empreendedor no ramo do turismo de aventura e histórico, apesar de ser obrigatória no currículo escolar, a educação ambiental não está presente na vida acadêmica. “É propiciando aos estudantes a oportunidade do contato com o meio ambiente que o conhecimento e a vontade de preservar e conservar afloram”, disse Newton ao programa Educação Ambiental na Escola, produzido pelo Instituto Nacional de Educação Ambiental, com o apoio da CTR Informática, Hotel Bourbon Curitiba e HF Capital Humano.

Na opinião de Newton, ainda falta isso nas escolas.

Na edição do programa, o empresário, neto de Ermelino de Leão, um dos pioneiros na conservação do meio ambiente no Paraná, conta um pouco da história da preservação no estado.

Em caiaques estilo canoas, Newton leva grupos para navegar nas águas do Açungui, Ribeira do Iguape, Paraná e Nhundiaquara. No caminho, uma imersão na história dos antepassados através de informações a respeito dos inúmeros sambaquis encontrados pelo caminho. História e aventura no meio ambiente.

Confira a entrevista completa (ineam.com.br).

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Montanhas na Serra do Mar paranaense viram nascer o montanhismo, a escalada técnica e o primeiro grupo de socorro em montanha do Brasil
Marumbi, berço do alpinismo na Serra do Mar paranaense. (Imagem: MS)
Marumbi, berço do alpinismo na Serra do Mar paranaense. (Imagem: MS)

Por Marcos Scotti – A aventura que fascina; a adrenalina que explode nas veias e faz os olhos brilharem acima das nuvens; a paixão pela natureza e por vencer novos limites. Todas as declarações já registradas, juntas, não chegam a traduzir os sentimentos de quem pratica o montanhismo.

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O Salto São João, em Prudentópolis, no Paraná, vai ganhar trilha, mirante e centro de visitantes
Salto São João. (Foto Arnaldo Alves/ANPr)
Salto São João. (Foto Arnaldo Alves/ANPr)

Turismo sustentável. Um ótimo caminho para o desenvolvimento de municípios e empresas voltadas ao turismo na natureza.

É essa estrada que algumas cidades e empreendedores estão trilhando na busca do desenvolvimento sustentável.

No Paraná, por exemplo, a “Terra das Cachoeiras Gigantes”, Prudentópolis, vai investir em infraestrutura para que os moradores locais e turistas que buscam o convívio com a natureza possam conhecer e explorar as belezas naturais do lugar, sem comprometer o meio ambiente e com segurança.

O Governo do Estado vai licitar a infraestrutura de uso público para aproximar a população do Monumento Natural Salto São João, queda d’água de 84 metros em meio à mata. A área onde serão feitas as obras da Unidade de Conservação foi repassada ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

A Prefeitura de Prudentópolis desapropriou dez alqueires na região onde serão implantados centro de visitantes, estacionamento, mirante e trilha. O projeto do IAP está pronto e o investimento previsto é de cerca de R$ 2 milhões.

Atualmente, a única forma de acessar o Salto São João é pelas propriedades particulares do entorno. “Com o apoio do município, o Salto São João será um cartão-postal para o ecoturismo paranaense e irá ajudar a alavancar outros atrativos naturais e culturais, que são abundantes no município”, disse o secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ricardo Soavinski, que esteve em Prudentópolis para visitar Unidades de Conservação e assinar o termo de recebimento da área.

O São João

O Salto São João fica a 12 quilômetros do Centro de Prudentópolis, em uma área de 15 alqueires que impressiona pela beleza cênica. No meio de uma floresta de araucárias bem preservada, surge uma cachoeira com grande volume de água, que cai de 84 metros de altura e segue pelo rio São João.

Prudentópolis é conhecida como terra das cachoeiras gigantes. No município há mais de cem quedas com alturas que variam de 80 a quase 200 metros.

(Com informações da ANPr)

Percorrer o Itupava hoje é como voltar no tempo. A cada passo, uma descoberta. A cada olhar, um tesouro a ser registrado na memória e nas lentes
Casa do Ipiranga, na Trilha do Itupava, em 2001. Ainda preservada. (Foto: Marcos Scotti)
Casa do Ipiranga, na Trilha do Itupava, em 2001. Ainda preservada. (Foto: Marcos Scotti)

Por Marcos Scotti – “Logo que se deixa a fazenda Borda do Campo principia o trilhamento de infinito número de obstáculos: alagadiços, fundos caldeirões pantanosos, saltos eminentes, morros íngremes, e que se atravessam quase subterraneamente e a maneira de furnas, onde é preciso desmontar as cargas volumosas”. A descrição é de Diogo Pinto de Azevedo Portugal, tenente-coronel no comando da expedição de conquista dos Campos de Guarapuava, em 1808, sobre o caminho centenário do Itupava, na Serra do Mar paranaense, entre o litoral e o primeiro planalto.

Percorrer o Itupava hoje é como voltar no tempo. A cada passo, uma descoberta. A cada olhar, um tesouro a ser registrado na memória e nas lentes.

A antiga trilha do Itupava foi por muitas décadas a única ligação entre a planície litorânea e o planalto do Paraná, vencendo rios e quedas d’água, altas montanhas e a densa Floresta Atlântica.

As lembranças de Diogo Pinto ficaram para a história. Hoje recuperado através do Programa de Proteção da Floresta Atlântica do Paraná (Pró-Atlântica), projeto que visa a preservação de áreas da Mata Atlântica no estado, em uma ação conjunta entre o governo estadual, municípios por onde passa o caminho, Instituto Ambiental do Paraná, que controla o acesso, e do Banco Central da Alemanha (KfW Bankengruppe), o Itupava é parte de um grande programa de educação ambiental, que envolve ainda os parques e áreas de preservação da Serra do Mar, entre eles o Parque Estadual do Marumbi.

Como costuma dizer Harvey Schlenker, técnico do IAP hoje responsável pelas Unidades de Conservação, “o conhecimento, através da comunicação ambiental, e o contato com a mata, trazem a consciência da preservação”.

Os relatos históricos do caminho dizem que ele foi descoberto por acaso. Os primeiros habitantes de Morretes, no litoral, caçavam um javali, que se embrenhou na mata e subiu a serra. Antes disso é provável que a trilha fosse usada pelos índios, que desciam ao litoral em determinadas épocas do ano em busca do peixe e da caça. O fato é que os portugueses que desembarcaram em Paranaguá e subiram o rio Nhundiaquara, estabeleceram um porto em Morretes e, dali, partiram para a colonização do estado. O caminho escolhido foi a trilha do Itupava.

“Depois de assistir à fabricação do mate, deixei a Fazenda de Borda do Campo. Logo penetramos em matas onde predomina a araucária e onde encontramos alguns profundos atoleiros aos quais o meu guia não deu grande atenção”, conta Auguste de Saint’Hilaire, naturalista francês, em “Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina”, relato de  1820. Borda do Campo está em Quatro Barras, a pouco mais de 15 quilômetros de Curitiba. No tempo de Auguste, a Fazenda Borda do Campo era administrada pelos Jesuítas, que ali mantinham uma beneficiadora de erva mate, mais tarde tomada pelo governo Real, quando da expulsão dos padres do país. A respeito, Saint’Hilaire escreveu: “Depois de sua expulsão, a propriedade foi administrada inicialmente pela Fazenda Real, mas como não produzisse nada nas mãos dos funcionários do governo, ela foi levada a leilão. É essa praticamente, a história de todos os estabelecimentos que haviam pertencido aos jesuítas e dos quais eles sempre tinham sabido tirar grande proveito. Os padres da Companhia de Jesus podiam, ali, aumentar sua influência e o número de seus amigos. Não é de admirar que, em geral, as propriedades dos jesuítas fossem tão lucrativas para eles, quanto nas mãos do Rei elas se tornavam inúteis. São conhecidos o descaso e a má fé com que é administrado o Brasil e tudo o que se relaciona com o serviço público”.

Hoje, em Borda do Campo, no início do Itupava, está uma unidade do IAP, onde todo visitante é cadastrado e recebe as orientações necessárias para seguir o caminho. Ali, em finais de semana, quando o eco das marretas silencia nas pedreiras próximas, se ouve o canto da Araponga. O caminho segue em direção ao “Pão de Loth”, a primeira montanha da serra, sempre subindo, até chegar na transposição do divisor de águas da cadeia de montanhas. Antes de deixar a civilização definitivamente para trás, uma vista panorâmica que em dias claros permite ver a capital.

A partir daí, um festival de riachos de águas límpidas, árvores gigantescas, bromélias e orquídeas das mais variadas espécies, borboletas multicoloridas, pássaros, pequenos animais, grandes cachoeiras, paisagens de perder o fôlego e o prazer indescritível de caminhar na mata fresca e sombreada. Em determinada época do ano, o colorido dos ipês emoldurado pelo verde intenso da floresta dá um toque especial à paisagem. Hoje, apesar de difícil, a trilha é segura. Placas indicativas, marcação na trilha, pontes, corrimão e escadas nos trechos difíceis não deixam ninguém se perder pelo caminho.

As surpresas seguem a cada passo. O primerio rio a ser transposto é o Ipiranga, um lugar paradisíaco. Ali a trilha cruza pela primeira vez a ferrovia. Ali estão as ruínas da Casa do Ipiranga, utilizada pelos engenheiros da construção da estrada de ferro e visitada pelo imperador.

Vandalismo na trilha

Infelizmente, quando da privatização da ferrovia, esse patrimônio histórico foi abandonado e depredado pela ação de vândalos. A compensação fica por conta da exuberante natureza.

Partindo do Ipiranga, a trilha segue pelo divisor de águas das montanhas até a serra do cadeado, o ponto mais íngrime e de difícil transição, embora hoje, em nome da segurança e da presevação, tenha sido construída uma escadaria no local.

No cadeado uma das visões mais fascinantes do caminho. O horizonte se descortina até onde a vista alcança, o conjunto de picos do Marumbi se eleva contra o azul do céu e a floresta cobre tudo ao redor. Ao longe, o grito dos bugius.

A trilha continua abaixo do santuário, onde, no tempo do Império, se fazia a cobrança de pedágio, e encontra a estrada pouco abaixo da estação Engenheiro Lange, daí continua margeando o Rio Nhundiaquara pelas prainhas, até encontrar a estrada da Graciosa (PR411) em Porto de Cima.

Turismo na trilha

MAPA-ITUPAVA

Reaberto em 2006, o caminho do Itupava saltou de uma média de 5 mil visitantes/ano para 17 mil, segundo dados do IAP.  Após implantação do monitoramento, agora está sendo colocado em discussão o estabelecimento de parcerias para levantamento do perfil do visitante e de dados para estipular capacidade de carga, atividades de minimização de impactos, medidas mitigatórias e de orientação pessoal para aplicação das regras de mínimo impacto nas atividades no caminho e atrativos do entorno. Apesar de alguns vândalos que deixam marcas pela trilha, o monitoramento constante tem resultado na diminuição de dejetos, lixo e agressões em geral à flora local.

Informações importantes:
Distância entre Borda do Campo e Prainhas: aproximadamente 22 km

Tempo de trilha: 5 a 8 horas. O tempo depende da disposição e do preparo físico das pessoas que irão percorrer o caminho, podendo ser maior ou menor.

Grau de dificuldade: semi-pesado.

Telefones importantes:
Base Borda do Campo: (41) 3554-1531
Base Marumbi : (41) 3462-3598
Corpo de Bombeiro: 193

Na mochila:
Levar lanterna, pilhas, agasalho, protetor solar e repelente, alimentação leve e energética. Usar calçados confortáveis e resistentes, com solado anti-derrapante. Não é permitido acampar ao longo do Caminho do Itupava. O acampamento está liberado apenas no rio Ipiranga e, quando reabrir, no camping do Parque Estadual do Marumbi (ligue antes para se informar).

(Com a participação de Marcelo Marzola Leite e revista BP)

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Iniciativa de secretarias de turismo estimula o aprendizado de crianças  por meio da visita a pontos turísticos da cidade
Praia Mole, Florianópolis. (Imagem Secretaria de Turismo SC)
Praia Mole, Florianópolis. (Imagem Secretaria de Turismo SC)

Conhecer para preservar.

Não faz sentido teorizar o conhecimento sem o acesso à prática. Isso serve para qualquer atividade, qualquer “fórmula” para mudar o mundo, a vida pessoal ou preservar o planeta.

“É preciso conhecer para preservar”, escrevi há muito tempo em artigo no jornal Gazeta do Povo, em Curitiba, onde mantinha uma página semanal, “Trilha na Mata” – hoje um blog -, no caderno de Turismo.

Sem conhecimento, sem vivência, a teoria se perde.