Samarco

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Quase um ano e meio depois do rompimento das barragens da Samarco, análise da água ao longo da bacia do rio é considerada péssima.
Água do rio Doce ainda apresenta elevados índices de concentração de minérios. (Imagem: ABr).
Água do rio Doce ainda apresenta elevados índices de concentração de minérios. (Imagem: ABr).

Dezesseis meses se passaram desde que a lama da Samarco inundou o rio Doce e destruiu tudo a sua volta, de Minas Gerais ao Oceano Atlântico, e a qualidade da água é péssima, totalmente imprópria para consumo e está carregada de magnésio, cobre, alumínio e manganês, muito acima do permitido pela legislação.

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Relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente diz que o que está sendo feito está muito aquém das necessidades
Relatório do Ibama diz que prazos dados à Samarco dificilmente serão cumpridos. (Imagem: Ibama)
Relatório do Ibama diz que prazos dados à Samarco dificilmente serão cumpridos. (Imagem: Ibama)

Seis meses depois de a lama da Samarco substituir a água no leito do rio Doce, o relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, finalmente concluído, diz que a mineradora, controlada pelas empresas Vale e BHP, deve adotar medidas mais efetivas para conter os rejeitos remanescentes, reverter os impactos socioambientais e evitar novas tragédias. Detalhe: a lama nunca parou de vazar da represa de Fundão.

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119 dias depois de muito falatório, advogado geral da União diz que acordo entre mineradoras e União – que prevê 15 anos de investimentos para recuperar a região afetada pelo rompimento das barragens em Mariana -, vai deixar o lugar “melhor do que era”
Rio Doce. (Imagem: ABr)
Rio Doce. (Imagem: ABr)

Por Marcos Scotti – “Esse acordo é um símbolo porque envolve diversos setores do Estado e mostra que esse Brasil consegue dialogar, conversar e construir soluções. É um Brasil que consegue se superar e produzir soluções de exemplo para mundo”, disse o advogado geral da União, Luis Inácio Adams, a respeito do acordo fechado com a Samarco para a recuperação da bacia do rio Doce, a praticamente seis meses da tragédia que matou a vida de Mariana ao litoral do Espírito Santo.

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Nenhuma barragem se rompe por acaso
Cenário após o rompimento da barragem em Mariana, MG. (Foto: Agência Brasil)
Cenário após o rompimento da barragem em Mariana, MG. (Foto: Agência Brasil)

Classificado pela empresa como “massa residual”, mais de um milhão de metros cúbicos vazou da barragem de Fundão, em Mariana, MG, administrada pela Samarco Mineradora, quase três meses depois da maior tragédia ambiental que matou o rio Doce e ceifou vidas.

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Mais de dois meses depois da tragédia ambiental em Mariana, empresa mostra plano de recuperação, enquanto a lama ainda escorre das barragens rompidas
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)
Enquanto isso, a lama continua vazando. (Imagem: Ibama)

Mais de dois meses depois do pior desastre ambiental acontecido no Brasil, a mineradora Samarco apresentou ao Ibama o plano de recuperação das áreas devastadas pelo rompimento das barragens em Mariana, Minas Gerais.

As primeiras ações da empresa, que ainda estão sendo analisadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e não convenceram. 

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Dois meses depois do rompimento das barragens da mineradora, a lama que destruiu a vida no rio Doce começa a afetar a vida no santuário do arquipélogo
Arquipélago de Abrolhos, santuário da vida marinha ameaçado. (Imagem: Ibama)
Arquipélago de Abrolhos, santuário da vida marinha ameaçado. (Imagem: Ibama)

A lama com rejeitos de mineração que vazou após a ruptura das barragens em Mariana (MG), em novembro, chegou ao litoral sul da Bahia, na região de Trancoso e Porto Seguro, próximo ao arquipélago de Abrolhos.

Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, sobrevoaram a região e observaram a presença da mancha de lama perto do arquipélago de Abrolhos, uma das mais importantes áreas de preservação da vida marinha na costa brasileira.

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Preocupação é com o aumento na vazão do rio Doce causada pelas chuvas
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)

As consequências do rompimento das barragens da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, já chegaram a 60 quilômetros de Vitória, no Espírito Santo, mar adentro. Ao norte, a mancha de partículas suspensas na água, chamada de pluma, chegou a 20 quilômetros e, segundo análises dos especialistas, a tendência é que se aproxime das praias.

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O que poderia ter sido feito para evitar esta que já é considerada a pior tragédia ambiental do planeta?
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)
Foz do rio Doce. Até agora 9 km de praias afetadas. (Imagem: Ibama)

Por Marcos Scotti – O rastro de destruição da lama das barragens da Samarco, empresa mineradora da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana, chegou ao mar do Espírito Santo, sem que medidas efetivas para conter ou amenizar os efeitos da lama fossem tomadas.

Enquanto a vida no rio Doce deixou de existir e no mar a vida marinha começa a boiar, inerte – segundo biólogos, o impacto no mar será proporcional a uma área do tamanho do Pantanal -, as discussões sobre o que deve ser feito e informações desencontradas recheiam a mídia, com declarações antagônicas sobre os perigos do rejeito da mineração, a lama da Samarco interditou as praias de Regência Augusta e Povoação.

“A lama não é tóxica”, diziam os técnicos da mineradora. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão responsável pela fiscalização de barragens de rejeitos, quando a lama chegou ao rio, disse que o rejeito de minério de ferro é classificado como inerte, ou seja, inofensivo. “Se ele chegar ao leito de um rio, por exemplo, a água poderá ficar turva, ocorrerá uma sedimentação, mas o consumo da água não terá impacto na saúde”.

A análise da água, no entanto, mostrou  alto índice de ferro, grande quantidade de mercúrio, altamente tóxico, e outros metais pesados. Ao longo da bacia do rio Doce 15 cidades deixaram de captar, tratar e abastecer a população com água. Cerca de 500 mil pessoas foram afetadas. Produtores rurais perderam animais que consumiram a água contaminada. A fauna do rio desapareceu. A flora ribeirinha e a fauna terrestre foram severamente castigadas na região de impacto.

“O desastre é enorme, é uma catástrofe, o pior desastre ambiental do país, e temos que tomar medidas inovadoras para resolver. A gente sabe que a parte de peixes, a fauna intocada, répteis, isso foi perdido. Além da recuperação de nascentes e uma série de situações estruturantes para a restauração da qualidade ambiental na bacia”, disse Izabela Teixeira, ministra do Meio Ambiente.

O que faltou

Mas afinal, o que poderia ter sido feito para evitar esta que já é considerada a pior tragédia ambiental do planeta?

Toda empresa com atividade de alto risco precisa de uma licença ambiental para ser instalada e um plano de contingência para casos como esse. A Samarco tinha a licença, mas não tinha um plano de contingência, um plano de emergência que pudesse minimizar os danos causados à vida humana e ao meio ambiente.

Toda atividade de alto risco precisa ainda ser monitorada e fiscalizada, constantemente. Mesmo com o alerta do Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE, de que havia risco de rompimento da barragem, nada foi feito. O monitoramento da barragem de fundão, se existisse, poderia ter feito soar o alarme a tempo de uma evacuação do distrito de Bento Rodrigues, dizem os especialistas no assunto. O monitoramento das barragens era precário e o alarme simplesmente não soou.

A fiscalização pelos órgãos ambientais que deveria acontecer, não houve. Segundo o órgão responsável pela fiscalização da mineradora em Mariana, no caso a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais, a licença de operação da Samarco estava vencida há dois anos e meio.

Enfim, a lama chegou ao mar, continua causando prejuízos, e nada do que poderia ter sido feito aconteceu. O Ministério do Meio Ambiente estima em pelo menos dez anos a recuperação dos ecossistemas na região afetada. Ambientalistas dizem que esse tempo é muito maior.

A negligência e os interesses econômicos e políticos, mais uma vez venceram. E não será uma multa de R$ 250 milhões que trará a vida de volta na bacia do rio Doce.

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“Jogaram a tabela periódica inteira” dentro do rio. A água não pode ser usada para consumo humano ou animal e nem para irrigar, diz especialista
Peixes mortos se amontoam nas margens do rio Doce. (Foto: Associação dos Pescadores e Amigos do rio Doce).
Peixes mortos se amontoam nas margens do rio Doce. (Foto: Associação dos Pescadores e Amigos do rio Doce).

Até que ponto o Brasil está preparado para enfrentar um desastre ambiental?

O rompimento das barragens da Samarco em Mariana, MG, mostrou uma triste realidade: empresa e organismos ambientais ficaram olhando e lamentando enquanto o mar de lama avança.

“São mais de 600 hectares de áreas de proteção ambiental nas margens dos rios cuja cobertura vegetal foi totalmente perdida e a fauna foi totalmente dizimada”, disse Marilene Ramos, presidente do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente.