saneamento

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O saneamento básico deficiente e o desmatamento das matas ciliares e das matas das nascentes e cabeceiras são os principais responsáveis pela poluição
Rio Jauru, no Pantanal: águas turvas pelo desmatamento e falta de saneamento.
Rio Jauru, no Pantanal: águas turvas pelo desmatamento e falta de saneamento.

Uma pesquisa realizada em 2015 pelo WWF-Brasil  e o Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC) e o HSBC Brasil, revelou que os níveis de turbidez – quando a água perde a transparência – e de quantidade de sólidos dissolvidos nos rios Jauru, Sepotuba e alto-Paraguai (região das cabeceiras do Pantanal) vem aumentando. O saneamento básico deficiente e o desmatamento das matas ciliares e das matas das nascentes e cabeceiras são os principais responsáveis pela poluição desses três rios, responsáveis pelo fornecimento de 30% das águas que mantém o pulso de inundação – processo anual de cheia e seca – da planície pantaneira no Mato Grosso.

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A falta de saneamento básico nas cidades, o descarte incorreto de todo tipo de substâncias químicas no leito dos rios e lagoas e o descaso com a natureza custam caro ao ser humano.
(Imagem: banco de imagens)
(Imagem: banco de imagens)

Estudo recente desenvolvido pelo laboratório da Fundação Oswaldo Cruz, publicado pela Sociedade Americana de Microbiologia, descobriu genes de uma superbactéria, perigosa e resistente a remédios, na lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro, e em um dos rios que deságuam na baia da Guanabara, palco das competições de remo e vela das Olimpíadas de 2016. Infelizmente o fato não é exclusividade do Rio de Janeiro. Embora os genes não sejam a ameaça propriamente dita, a descoberta é preocupante.

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A cada R$ 1 investido em saneamento básico, o sistema público de saúde economizaria R$ 4
Rio urbano, fonte de proliferação de agentes transmissores de doenças. (Imagem: MS)
Rio urbano, fonte de proliferação de agentes transmissores de doenças. (Imagem: MS)

No Brasil, 35 milhões de pessoas não tem acesso a água tratada e 100 Milhões de brasileiros não tem acesso a coleta de esgoto. As informações são do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento.

Ainda segundo o SNIS, a cada 100 litros de água coletados e tratados, em média, apenas 67 litros são consumidos. Ou seja 37% da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água. O prejuízo chega a R$ 8 bilhões. O volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas do porte da represa Cantareira, que abastece a cidade de São Paulo.

Saneamento é um direito do cidadão e envolve quatro serviços básicos: coleta e tratamento da água, esgotos, resíduos e drenagem.

No entanto, menos da metade da população brasileira tem acesso a tratamento de esgoto (48,6%). São mais de 100 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço. Outro dado alarmante: mais da metade das escolas brasileiras não tem acesso à coleta de esgotos e mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras disponíveis. O resultado não poderia ser diferente: os rios urbanos estão mortos.

Saneamento x saúde pública

A falta de saneamento afeta diretamente a saúde pública. Rios poluídos fazem proliferar agentes transmissores de doenças, como mosquitos e ratos. Entre as doenças, os maiores índices registrados dizem respeito às infecções gastrintestinais, leptospirose e amebíase.

Em 2013, segundo informações do Ministério da Saúde, foram notificadas 340 mil internações hospitalares por infecções ao custo de R$ 355,71 por paciente, na média nacional. Dessas internações, 2.135 pessoas faleceram. Segundo o Instituto Trata Brasil, uma Oscip que trabalha pela universalização do saneamento no país, a cada R$ 1 investido em saneamento básico, o sistema público de saúde economizaria R$ 4.

Campanha da Fraternidade

“Como estão estruturadas as nossas cidades? Quem realmente tem acesso ao saneamento básico? No ano de 2014, o sudeste do Brasil viveu uma das maiores crises hídricas já registradas na história recente do país. Quem foi responsabilizado por isso? Por que os serviços de saneamento básico, considerados como direito humano básico pela Organização das Nações Unidas, estão em disputa?”.

As questões fazem parte da Campanha da Fraternidade 2016, instituída pela Igreja católica com o objetivo de assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e conscientizar em busca de políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro do planeta e das pessoas.

Com o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24), o texto de apresentação da Campanha diz que “o atual modelo de desenvolvimento está ameaçando a vida e o sustento de muitas pessoas, em especial as mais pobres. É um modelo que destrói a biodiversidade”.

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De acordo com a balneabilidade, as águas de determinada praia podem ser classificadas como próprias ou impróprias para banho
Litoral do Paraná. O Instituto Ambiental do Paraná monitora a qualidade do mar durante o verão. (Imagem: IAP)
Litoral do Paraná. O Instituto Ambiental do Paraná monitora a qualidade do mar durante o verão. (Imagem: IAP)

Balneabilidade é a qualidade das águas destinadas à recreação de contato primário, ou seja, contato direto e prolongado com a água em situações como mergulhar, nadar, boiar, etc.

De acordo com a balneabilidade, as águas de determinada praia podem ser classificadas como próprias ou impróprias para banho de mar. O fator que influencia a balneabilidade é, basicamente, a densidade de coliformes fecais, microrganismos presentes nas fezes de animais de sangue quente e que servem como indicadores da poluição por esgoto.

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O desenvolvimento que o mundo experimentou pós-revolução industrial trouxe algo mais do que conforto. Trouxe lixo. Montanhas de lixo.

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A evolução tecnológica e a cultura do descartável, onde tudo é substituível por uma nova geração e a necessidade de aproveitar o tempo ao máximo traz o comodismo para a rotina pessoal, colocou o consumismo como um inimigo da qualidade de vida em função dos resíduos que gera.

O crescimento populacional e a concentração de pessoas nos centros urbanos, principalmente a partir de meados do século passado, acabou gerando problemas ambientais e de saúde pública.

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Menos de 30% das cidades brasileiras depositam o lixo em aterros sanitários, apesar da lei
Planta de um aterro sanitário.
Planta de um aterro sanitário.

O que os olhos não veem e o nariz não cheira não incomoda. E assim é.

Todos os resíduos que saem de casa, recicláveis ou orgânicos, têm um destino, um lugar para ser depositado ou reciclado. O que pode ser reaproveitado vai para uma usina de reciclagem. O que é orgânico, vai parar em um lixão, aterro sanitário ou um aterro controlado. É aí que começa o problema.

Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em 2011, 71,8% dos municípios brasileiros não possuíam uma política municipal de saneamento básico. A estatística corresponde a 3.995 cidades que não respeitam a Lei Nacional de Saneamento Básico, aprovada em 2007.