Uso sustentável da madeira passa pela informação

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A lista de problemas apontados pelos profissionais é extensa: falta de manuais, listagens, sites e sessões técnicas no ambiente de trabalho, entre outros.

Por Ricardo Russo – Na construção civil brasileira, a madeira tem perdido espaço para diversos outros materiais – alguns até com aspecto “amadeirado”. Parte dessa ausência nos projetos desenvolvidos pelos escritórios de arquitetura está na pouca, ou total, falta de informação disponível para o mercado, conforme aponta a pesquisa “Especificação de Madeira nos Escritórios de Arquitetura”, publicada em 2015 pelo WWF-Brasil e pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea).  

De acordo com questionários respondidos pelos profissionais de 28 empresas com sede em São Paulo (SP), 57% dos entrevistados apontaram dificuldades para incluir madeira em seus projetos. 71% afirmam que não há informações técnicas e de mercado para efetivar essa inclusão. A lista de problemas apontados pelos profissionais é extensa: falta de manuais, listagens, sites, sessões técnicas no ambiente de trabalho, de locais onde verificar aplicações recomendadas, detalhes de referência e tratamentos específicos.

Porém, o dado que mais causa preocupação é o fato de que 61% dos entrevistados assumiram ter “resistências” ao uso da madeira em seus projetos. Eles apontam os custos envolvidos como o principal entrave, indicando ainda que vários outros materiais, como alvenaria, ferro, porcelanato, alumínios e vinílicos, tem custo-benefício mais interessante que a madeira propriamente dita.    

Os dados gerados pela pesquisa trazem dois insights para o setor madeireiro. O primeiro é ter a ciência de que a situação do uso da madeira na construção civil não é confortável. Diante dos fatos, é preciso assumir as deficiências na divulgação de informações em relação à madeira. Muitos entrevistados afirmaram “pouca clareza na forma como as informações sobre a madeira são veiculadas”.

O segundo aspecto é, de forma organizada e coletiva, reverter o cenário e, somente assim, ampliar de forma considerável o uso de madeira nas construções. O primeiro passo é padronizar as informações, para eliminar dúvidas e inseguranças por parte dos arquitetos e engenheiros, nosso público inicial.  

Este é o papel que o Programa Madeira é Legal tem desempenhado nos últimos oito anos. Temos criado, ao longo deste tempo, espaços de intercâmbio e discussão, buscando a troca de experiências, tecnologia e a realização de debates sobre o tema. Também participamos de feiras, organizamos palestras, geramos conteúdo, editamos publicações, entre várias outras ações.

Outro mecanismo, bastante usado em diversos setores da economia brasileira, é divulgar a experiência dos projetos mais qualificados no Brasil e no exterior. Exemplos concretos, sem qualquer trocadilho, colaboram para a mudança da cultura construtiva – atingindo consultores, fornecedores até chegar no consumidor final.

O aspecto ecológico também não pode ser esquecido. Parte dessa mudança cultural pode ocorrer a partir do apelo sustentável da madeira. As questões legais e ambientais da produção e comercialização da madeira devem ser amplamente divulgadas, assim como o fato de sistemas construtivos em madeira gerarem menos resíduos e fixarem gás carbônico. 

O que era suspeita, agora é fato. A informação é fundamental para a tomada de decisão dos profissionais dos escritórios de arquitetura. Uma cadeia produtiva organizada, que utiliza tecnologia de ponta, a única matéria-prima 100% renovável da construção, com produtos de qualidade e custo compatíveis, não pode ficar à sombra da desinformação generalizada.

Ricardo Russo é formado em Agronomia e Mestre em Engenharia Florestal. Especialista de Conservação do WWF-Brasil. (Publicado originalmente no portal do WWF Brasil)

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